Por Agência Brasil — O papa Leão XIV defendeu, nesta segunda-feira (8), que o “trágico drama migratório” agite “a consciência das nações” e apelou à cooperação multilateral para uma resposta “solidária e eficaz” que tenha no centro a dignidade humana.
“O trágico drama migratório interpela hoje a consciência das nações e o fundamento ético da ordem internacional. Homens, mulheres e crianças são obrigados, por circunstâncias muitas vezes dramáticas, a partir das suas comunidades e deixar atrás seres queridos, histórias e vínculos. Essa realidade extravasa qualquer leitura puramente demográfica: é uma questão eminentemente moral e jurídica”, disse ele em discurso no Parlamento da Espanha.
“O trágico drama migratório interpela hoje a consciência das nações e o fundamento ético da ordem internacional. Homens, mulheres e crianças são obrigados, por circunstâncias muitas vezes dramáticas, a partir das suas comunidades e deixar atrás seres queridos, histórias e vínculos. Essa realidade extravasa qualquer leitura puramente demográfica: é uma questão eminentemente moral e jurídica”, disse ele em discurso no Parlamento da Espanha.
Para o papa, “a situação dos migrantes e refugiados exige uma resposta que olhe para as pessoas, enfrente as causas que os obrigam a partir e vá mais além da mera gestão de fluxos”.
As responsabilidades dos governos, afirmou, incluem garantir e oferecer “vias seguras e legais, um acolhimento com respeito e possibilidades reais de integração” e promover “o direito a permanecer na própria terra, a trabalhar para que ninguém tenha de abandonar a sua casa por falta de paz, segurança e por condições dignas de vida”.
“Nenhuma nação pode enfrentar sozinha um desafio dessa magnitude” e é “indispensável uma resposta coordenada, solidária e eficaz”, no “quadro da uma cooperação regional e multilateral”, defendeu Leão XIV.
“Nenhuma nação pode enfrentar sozinha um desafio dessa magnitude” e é “indispensável uma resposta coordenada, solidária e eficaz”, no “quadro da uma cooperação regional e multilateral”, defendeu Leão XIV.
O papa destacou que nos últimos anos, as rotas de imigração, sobretudo em direção à Europa, se tornaram “cada vez mais perigosas” e “é necessário fortalecer a prevenção, o resgate e a assistência às vítimas”.
Leão XIV iniciou no sábado (6) visita de uma semana à Espanha. Nos últimos dois dias da viagem, ele irá às Canárias, ilhas que convivem com o fenômeno da chegada de migrantes em embarcações precárias procedentes da África conhecidas como ‘pateras’ ou ‘cayucos’.
Esta é a primeira viagem de um papa à Espanha em 15 anos e a primeira vez que um líder da Igreja Católica discursa no Parlamento nacional. O país vive um discurso político polarizado, como o próprio Leão XIV comentou no sábado (6), logo depois de desembarcar em Madri.
O terceiro maior grupo parlamentar, o Vox, de extrema-direita, mantém há meses um confronto com os bispos por causa da imigração.
Os bispos espanhóis têm sido alvo de críticas por parte dos dirigentes do Vox, por estarem envolvidos no acolhimento dos migrantes que chegam às Canárias em ‘pateras’ (barcos precários e improvisados) e na integração dessas pessoas e de outros estrangeiros por terem reivindicado e apoiado publicamente a regularização extraordinária de imigrantes com que avançou recentemente o Governo liderado pelo socialista Pedro Sánchez.
Além disso, os bispos, incluindo a cúpula da Conferência Episcopal Espanhola, criticaram os acordos dos últimos meses do Vox com o Partido Popular (PP, direita) para coligações de governos regionais que integram um princípio de “prioridade nacional” nos acessos a serviços públicos e apoios sociais, por imposição da extrema-direita. O objetivo, assumido pelo Vox, é dar prioridade aos espanhóis em relação a imigrantes.
Só cinco deputados não ouviram no Parlamento o discurso do Papa – que é também o chefe de Estado do Vaticano, qualidade em que se dirigiu ao plenário espanhol – todos de partidos de esquerda (Podemos e Bloco Nacionalista Galego).
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