A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte (ALRN) promoveu nesta quarta-feira (17) um Encontro Técnico para apresentação do Time de Colaboração voltado à implementação de ações relacionadas à gestão de riscos psicossociais no serviço público. A iniciativa integra as adequações exigidas pela Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passou a incluir a obrigatoriedade do gerenciamento dos fatores psicossociais nos ambientes de trabalho.
O encontro foi conduzido pelo Núcleo de Atenção Biopsicossocial da ALRN, em conjunto com a Coordenadoria de Saúde e Segurança do Trabalho, que são parte da Diretoria de Gestão de Pessoas e contou também com parceria da Secretaria de Estado da Administração Pública (SEAD). Reuniu gestores, servidores e alunos de Psicologia para discutir estratégias de promoção da saúde mental e prevenção ao adoecimento ocupacional.
Na abertura da palestra, o diretor de Gestão de Pessoas, Thyago Cortez, citou os avanços da ALRN na adequação à NR-1. “Quando entrou em vigor, a gente já estava se preparando”, disse o diretor.
Durante a apresentação, os participantes conheceram a proposta do programa “Equilibra.Mente”, criado para fortalecer a cultura de cuidado com a saúde mental dos servidores públicos e apoiar a implementação das diretrizes previstas na NR-1. A iniciativa busca estimular a colaboração entre os órgãos públicos e promover a uniformização das principais ações voltadas à gestão dos riscos psicossociais.
A programação contou com palestra do psicólogo Rafael Figueiró, que abordou o conceito de riscos psicossociais, definidos como fatores relacionados à organização do trabalho capazes de afetar a saúde física, emocional e social dos trabalhadores. Quando não identificados e gerenciados adequadamente, esses fatores podem gerar sofrimento psíquico, afastamentos, adoecimento e prejuízos ao desempenho institucional.
Entre os principais fatores de risco destacados pela equipe técnica estão a sobrecarga de trabalho, a falta de reconhecimento profissional, a comunicação deficiente, os conflitos interpessoais e a insegurança organizacional. Segundo os especialistas, a presença contínua desses elementos pode levar ao estresse, ao esgotamento emocional e à redução da qualidade de vida no ambiente laboral.
O encontro também destacou a importância do papel dos gestores na construção de ambientes mais saudáveis. De acordo com a NR-1, cabe às lideranças identificar riscos, adotar medidas preventivas, promover ações de acolhimento e acompanhar continuamente os indicadores relacionados à saúde ocupacional.
Como parte das estratégias de prevenção, foram apresentados os chamados “sete EPIs da saúde mental do servidor público”: escuta qualificada, comunicação respeitosa, gestão do estresse, pausas para recuperação, fortalecimento das redes de apoio, liderança saudável e acompanhamento psicossocial.
O plano de ação prevê ainda a capacitação de gestores, o fortalecimento dos canais de escuta institucional, a realização de ações permanentes de promoção da saúde mental e o monitoramento dos indicadores relacionados ao bem-estar dos servidores.
Durante a explanação, foi ressaltado que investir em saúde mental significa investir em pessoas, desempenho e qualidade dos serviços prestados à população. Entre os benefícios esperados estão a redução dos afastamentos e do absenteísmo, o aumento do engajamento das equipes, a melhoria do clima organizacional e o fortalecimento da missão institucional.
A ALRN conta atualmente com uma equipe multiprofissional formada por psicólogas e psicólogos que atuam no Núcleo de Atenção Biopsicossocial, oferecendo suporte e acompanhamento aos servidores por meio de ações preventivas e de promoção da saúde.
A mensagem central do encontro foi a de que o cuidado com a saúde mental ultrapassa o cumprimento de uma exigência legal. Trata-se de uma estratégia de gestão que fortalece as instituições, melhora os resultados organizacionais e contribui para a construção de ambientes de trabalho mais humanizados, seguros e saudáveis para todos os servidores públicos.


