A proposição foi do deputado Fernando Mineiro (PT)

A Assembleia Legislativa promoveu debate, na tarde desta sexta-feira (23), sobre a execução da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e sobre a defesa dos Direitos Humanos no Rio Grande do Norte e no Brasil. A proposição foi do deputado Fernando Mineiro (PT) e, segundo ele, a audiência pública representou um ato de “solidariedade, de resistência e de repúdio à violência”.

“A fala de todos os participantes deixou claro que a morte da Marielle foi uma tentativa de nos calar, mas durante a audiência e no dia a dia estamos fazendo exatamente o oposto: estamos falando, denunciando e exigindo justiça. Foi um momento também para conscientizarmos a sociedade sobre o que está acontecendo e nos unirmos em torno dessa luta”, argumentou o parlamentar.

Em seu pronunciamento, a reitora da Universidade Federal do Estado (UFRN), professora Ângela Paiva, afirmou que a instituição está à disposição da sociedade para colaborar com as políticas públicas relativas aos Direitos Humanos. “Temos compromisso com a cultura de paz, marca da história da Universidade, e reforçamos que a sociedade conta com a UFRN na defesa da vida e da cidadania plena”, declarou a reitora.

Presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos do Rio Grande do Norte, Daniel Pessoa contou que o órgão colegiado aprovou nota de pesar e de repúdio e exigiu punição dos responsáveis. “A morte da Marielle não pode ser banalizada ou esquecida. Temos que nos manter firmes exigindo que punam quem está por trás desse homicídio grotesco”, conclamou ele.

O debate ainda contou com a participação do vereador de Natal Sandro Pimentel (PSOL), de representantes do PT, PSOL, Rede, PV e PSTU e de diversos coletivos, que também se expressaram por meio de faixas e cartazes. Durante as intervenções, números nacionais de violência foram destacados na Assembleia, como o de homicídios anuais (60 mil), o de homicídios de negros (60%) e o de feminicídio (o Brasil é o quinto do mundo).

A vereadora Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes, foram assassinados no dia 14 de março, no Rio de Janeiro. A principal linha de investigação da Divisão de Homicídios local aponta que os dois foram vítimas de execução. A parlamentar tinha sido escolhida relatora da comissão responsável por acompanhar a intervenção militar no estado fluminense e vinha denunciando a violência da Polícia Militar em comunidades cariocas.