Padre denunciado por intolerância religiosa pede desculpas à família de Preta Gil em missa na PB: ‘Minhas palavras foram ofensivas’

Danilo César, padre denunciado por intolerância religiosa em fala sobre Preta Gil participou do ato do MPF — Foto: Diogo Pinheiro/TV Cabo Branco
Danilo César, padre denunciado por intolerância religiosa em fala sobre Preta Gil participou do ato do MPF — Foto: Diogo Pinheiro/TV Cabo Branco

Por g1 PB — O padre Danilo César, da paróquia de Areial, no Agreste da Paraíba, pediu desculpas para a família de Preta Gil, após declarações feitas sobre a morte da artista e religões de matriz africana no ano passado. O pedido aconteceu após um acordo com a família Gil na Justiça Cível do Rio de Janeiro, durante homilia de uma missa. Veja o vídeo acima.

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Na cerimônia, realizada no domingo (10), Dia das Mães, o padre leu integralmente o pedido de desculpas previsto no acordo com a família de Preta Gil. A missa foi filmada e transmitida ao vivo pelo Youtube, como forma de colocar as desculpas no mesmo espaço onde as ofensas foram proferidas.

No pedido, ele cita vários componentes da família Gil diretamente, entre eles Gilberto Gil e Flora Gil. Ele também se desculpou também sobre a memória de Preta Gil. No discurso, ele afirma que é necessário “respeitar as pessoas que creem de forma diferente”.

Ainda está previsto também a doação de oito cestas básicas para uma instituição social por parte do padre. O termo de acordo com a família também tem como parte a Diocese de Campina Grande, responsável pela paróquia.

Além do acordo direto com a família Gil no âmbito da Justiça Cíviel, que fez com que o padre deixasse de pagar R$ 370 mil em danos morais, Danilo César também fechou um acordo, este anterior, com o Ministério Público Federal (MPF), para não responder criminalmente pelas falas. Nesse outro acordo, ele tem que prestar diversos serviços como contrapartida.

Entre as obrigações no acordo com o MPF, o padre se comprometeu a participar de um ato inter-religioso, o que aconteceu em fevereiro, com a participação remota de Gilberto Gil, que inclusive falou sobre todo o ocorrido.

No evento, Gilberto Gil chamou de ‘agressão’ a fala do padre denunciado por intolerância religiosa contra Preta Gil.

Entre outros pontos acordados no MPF naquela época, estão:

O caso ocorreu no dia 27 de julho. Durante a homilia, o padre citou a morte da cantora Preta Gil, nos Estados Unidos, vítima de um câncer colorretal, associando a fé dela em religiões de matriz afro-indígenas a morte e sofrimento.

A missa foi transmitida ao vivo pelo Youtube da paróquia de São José, em Areial. O vídeo foi retirado do ar após a grande repercussão nas redes sociais.

As declarações com cunho de intolerância religiosa também aconteceram em relação aos fiéis para os quais o padre estava presidindo a missa. Ele chegou a se referir a religiões de matriz afro-indígenas como “coisas ocultas” e que desejava “que o diabo levasse” quem procurar essa prática.

A fala foi considerada como preconceituosa pela Associação Cultural de Umbanda, Candomblé e Jurema Mãe Anália Maria, da região de Areial. O presidente da instituição, Rafael Generiano, fez um boletim de ocorrência contra as falas do padre por intolerância religiosa à época.