Por g1 PB — Os ônibus fazem parte do dia a dia de cidades em todo o país, transportando passageiros e conectando diferentes regiões. Para um grupo de entusiastas, porém, eles vão além da função de transporte e se tornam objeto de interesse, estudo e registro. Esses apaixonados são conhecidos como busólogos, praticantes da chamada busologia.
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O termo surgiu no Brasil na década de 1970. Atualmente, interessados pelo tema compartilham, em tempo real, fotografias, informações técnicas e histórias de veículos que circulam por diferentes regiões do país e até no exterior.
Em João Pessoa, esse interesse se transformou em rotina para um grupo de quatro jovens que mantém a prática há cerca de três anos. Eles acompanham o movimento dos ônibus pela cidade e interagem com outros entusiastas no Brasil e no mundo.
Para Luyz Miguel, a relação com os ônibus começou ainda na infância, de forma espontânea, antes mesmo de ele entender que aquilo poderia ser um hobby.
O que antes era apenas curiosidade foi ganhando nome, comunidade e significado. João Pedro conta que a virada aconteceu quando descobriu que havia outras pessoas com o mesmo interesse. A partir daí, o que era apenas observação passou a ser também registro e troca.
Essa descoberta coletiva é comum entre os entusiastas: muitos dizem que só entendem que são busólogos depois de encontrar outros como eles.
Do alto da rodoviária de João Pessoa, ponto de grande circulação de veículos, Daniel da Silva observa junto com o grupo os ônibus com atenção quase técnica. Para ele, cada veículo carrega informações que podem ser identificadas em poucos segundos.
O grupo utiliza plataformas especializadas para consultar informações detalhadas sobre os veículos, o que amplia ainda mais o nível de conhecimento sobre o tema.
Lucas Ruan também faz parte desse circuito de observação frequente. Ele conta que chega a acompanhar os ônibus na Rodoviária de João Pessoa até três vezes por semana. O grupo destaca que o interesse vai além da aparência dos veículos, envolvendo também conforto, motorização e experiência do passageiro.
Com o tempo, a busologia deixou de ser um interesse individual e passou a se estruturar como uma comunidade. Segundo os jovens, empresas de transporte também contribuem para essa aproximação, promovendo visitas a garagens e eventos internos voltados a entusiastas.
Além disso, a troca de informações em perfis de busólogos nas redes sociais permite que pessoas de diferentes estados mantenham contato constante, fortalecendo o grupo.
Em alguns casos, essa relação com os ônibus ultrapassa o campo do hobby e chega a momentos marcantes da vida. Em João Pessoa, um casamento feito em março chamou atenção ao incluir um ônibus do transporte coletivo da capital paraibana como parte central da cerimônia.
A ideia foi do casal, que decidiu unir elementos da rotina dos dois na celebração. O noivo é busólogo e trabalha no setor e a noiva é professora, usuária diária do transporte público, incluindo o serviço executivo conhecido como “geladinho”.
O ônibus foi usado na chegada da noiva, no ensaio fotográfico do casal e também no transporte de convidados até o local da cerimônia, uma chácara localizada a cerca de 12 quilômetros da capital. A medida facilitou o deslocamento de familiares e amigos que vinham de bairros mais distantes.


