Por g1 PB — O dono de uma pizzaria em Pombal, no Sertão da Paraíba, vai responder 117 vezes pelo crime de venda de alimentos impróprios para o consumo. O caso ganhou repercussão após um surto de intoxicação alimentar ligado ao estabelecimento, que resultou na morte de uma pessoa e fez com que mais de 100 pessoas passassem por médico. A informação foi confirmada pela Polícia Civil nesta sexta-feira (17).
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O inquérito que investigou o caso foi concluído e o dono do estabelecimento, Marcos Antônio Neto, foi indiciado pelo crime na forma culposa da lei, quando não há intenção de ferir. Conforme o delegado Rodrigo Barbosa, que investigou o caso, ele vai responder por cada um dos atendimentos oriundos do problema. Veja o vídeo acima.
Ao g1, a defesa do dono da pizzaria La Favoritta disse não ter tido acesso ao inquérito pelo sistema eletrônico e que vai se pronunciar quando isso acontecer.
De acordo com a investigação, “não foi possível” individualizar eventual conduta criminosa que tenha causado diretamente a contaminação. Por isso, o inquérito concluiu por não ser possível atribuir o resultado morte ou as lesões às vítimas ao proprietário do estabelecimento ou outras pessoas.
O estabelecimento segue interditado pela Vigilância Sanitária, e a Polícia Civil também representou pela interdição judicial cautelar do local.
Com inquérito conluído, a investigação foi encaminhada para a Justiça da Paraíba, que vai decidir dar encaminhamento ou não para o caso virar uma ação penal.
De acordo com a corporação, exames feitos pelo Insituto de Polícia Científica da Paraíba (IPC-PB), apontaram que a morte de Raissa Bezerra, de 44 anos, aconteceu em decorrência de infecção intestinal aguda grave. Os exames descartaram a presença de substâncias tóxicas exógenas, como venenos ou entorpecentes.
Também foi divulgado que exames feitos nas pessoas que apresentaram os sintomas de intoxicação alimentar confirmaram a presença de contaminação bacteriana. Já nos alimentos, os exames identificaram a presença de bactérias como Escherichia coli e estafilococos coagulase no molho de tomate e nas pizzas analisadas.
Na carne, quando examinada ainda na origem, o material não apresentou contaminação, indicando, segundo a Polícia Civil, que o problema ocorreu durante o processo de manipulação dos alimentos dentro da pizzaria.
O surto aconteceu entre a noite de 15 de março e o dia 16, causou a morte da servidora municipal Rayssa Maritein Bezerra e Silva, de 40 anos. Outras 117 pessoas que comeram na pizzaria procuraram atendimento médico com sintomas como náuseas, vômitos, diarreia e dores abdominais.
Um laudo com o resultado dos exames nos alimentos foi obtido inicialmente pela reportagem da Rádio CBN e, no dia 28 de março, foi detalhado pelo secretário de Saúde da Paraíba, Ari Reis, em entrevista à TV Cabo Branco, que já apontavam presença de bactérias.
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Um dos hospitais que recebeu a quantidade de pacientes após o surto, o Hospital Regional de Pombal, em nota, afirmou à época que a “paciente apresentou rápida evolução clínica, sendo prontamente assistida pela equipe médica e encaminhada à Unidade de Terapia Intensiva (UTI), já em estado geral gravíssimo, com sinais compatíveis com um quadro infeccioso grave”.
Em um vídeo enviado ao g1 pela advogada Raquel Dantas, que representa Marcos Antônio, à época, o dono do estabelecimento disse que lamenta a morte da mulher e todo o transtorno causado para as pessoas que tiveram que passar por atendimento médico.


