Por g1 PB — Giovanna Kelly é o colo de Júlia Kevelin. Já Júlia encontra força na Giovanna. É assim que as irmãs de 17 anos, que são gêmeas, têm encarado a maratona de estudos para o Enem 2024. Além de dividir as mesmas estratégias de estudos, todos os sentimentos e experiências são vividos em dose dupla.
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Depois da escola, as duas estudam cerca de três a quatro horas todas as tardes. A organização dos horários é um elemento importante que tem garantido equilíbrio para as duas desde o início da preparação.
Em casa, as meninas contam com uma forcinha a mais. A irmã mais velha, de 19 anos, também está se preparando para o exame e se junta a elas para resolver exercícios e estudar toda a matéria que cai na prova.
As adolescentes buscam os métodos que funcionam melhor para cada uma. Simulados, questões anteriores do Enem. Isso tudo sempre com uma contando com a outra.
“Uma explica um conteúdo que a outra não entendeu bem, o que acaba reforçando o aprendizado para ambas. Revisamos o conteúdo em dupla, discutindo o que entendemos e resolvendo exercícios juntas. Esse processo nos ajuda a entender melhor o conteúdo, porque pensamos de forma muito parecida e complementamos uma a outra”, conta Giovanna.
Além dos estudos, todos os sentimentos também são compartilhados. Os bons são divididos entre as duas. Os ruins são enfrentados com força em dobro. Mas também há uma curiosidade que envolve esse processo.
Na escola, os desempenhos também são parecidos. Janaína Cardoso, professora de matemática das duas há anos, ainda não sabe diferenciar quem é quem.
“A semelhança delas é muito grande. As letras, as notas, a forma com que elas estudam, o aprendizado, até as dúvidas são semelhantes. A forma como escrevem, as justificativas, a forma com que se calcula também”, relata a professora.
Mesmo que pareça, as meninas não são parecidas em tudo. E elas conhecem bem as diferenças entre uma e outra.
“Júlia é o oposto de mim no aspecto de comunicação, então o que definiria bem ela é que ela é mais comunicativa e extrovertida, enquanto eu sou mais reservada e tímida”, explica Giovanna com o consentimento da irmã mais velha.
Depois de uma vida inteira sem se desgrudar para quase nada, essa duplinha deve encarar as consequências desafiadoras de uma decisão que já foi tomada por ambas. Júlia quer ser aprovada no curso de direito. Já Giovanna, quer ser psicóloga.
Essas escolhas foram fáceis para as gêmeas, que levaram em consideração as personalidades de cada uma enquanto pensavam na futura profissão.
Seguir caminhos diferentes não é algo que está sendo encarado como um problema, mas como uma forma de deixar ainda mais forte o que as une.
E quem sabe quanto uma é apaixonada pela outra, não tem dúvidas que elas são inseparáveis. Mas só para reforçar, basta ler a forma com que a mais velha descreve a mais nova, enquanto enche os olhos de brilho e a voz de emoção.
A conexão que Júlia e Giovanna compartilham é explicada pela psicologia.
“Elas nascem o no mesmo dia, crescem juntas e passam juntas pelos mesmos marcos desenvolvimentistas […]. Elas estão sinergia, elas estão em sincronicidade de desenvolvimento. Há uma possibilidade que as duas desenvolvam visões de mundo muito parecidas, desenvolvam também formas de pensar e sentir muito parecidas”, explica o psicólogo Luan Glauber.
E é justamente esse elo empático tão forte, segundo o psicólogo, que gera a percepção de que uma sente o que a outra sentiu.
Já o fato de cada uma seguir uma área diferente, é visto como saudável pelo profissional de saúde, que destaca a importância de cada uma delas ter autonomia.
“Isso vai permitir também uma interação social distinta. Elas vão ter o mundo delas e trazer elementos do exterior pra essa relação”, conclui.


