Por g1 PB — Além de negociar drogas com traficantes, policiais civis presos na semana passada na Paraíba também são suspeitos de proteger foragidos da Justiça e repassar informações sigilosas sobre operações policiais para integrantes do crime organizado.
As suspeitas fazem parte da investigação conduzida pelo Ministério Público e pela Polícia Civil que resultou na prisão de nove pessoas, entre elas os investigadores Everton Aires, conhecido como “Bomba”, Eduardo Jorge, o “Mão Branca”, e o delegado Brás Morrone.
Segundo os investigadores, o grupo não atuava apenas no comércio ilegal de drogas. A apuração indica que policiais utilizavam o acesso a informações privilegiadas para beneficiar criminosos e dificultar a atuação das forças de segurança.
De acordo com a investigação, integrantes da organização avisavam traficantes e outros alvos de ações policiais antes do cumprimento de operações, permitindo que eles se preparassem para evitar prisões ou apreensões.
A polícia afirma ainda que foragidos da Justiça contavam com uma espécie de proteção oferecida pelo grupo.
Entre os beneficiados pelas informações privilegiadas estaria José Alexandrino Júnior Lira, conhecido como Júnior Lira. Segundo a Polícia Civil, ele é investigado há anos por participação em ataques a bancos e carros-fortes no Nordeste e seria integrante do chamado Novo Cangaço.
As investigações apontam que, além de atuar em crimes contra instituições financeiras, Júnior Lira também teria investido recursos obtidos nessas ações no tráfico de drogas.
Em áudios analisados pelos investigadores, suspeitos mencionam negociações envolvendo o nome de Júnior Lira e tratam de estratégias para comercialização de entorpecentes em diferentes cidades da região.
Segundo a polícia, a proximidade entre os investigados ia além dos contatos telefônicos. Os encontros aconteciam presencialmente e há registros de fotografias e vídeos compartilhados em redes sociais mostrando a convivência entre policiais e criminosos.
Para os responsáveis pela investigação, um dos elementos que chamaram a atenção foi a naturalidade com que policiais e suspeitos mantinham contato.
A apuração identificou que os investigados negociavam diretamente com criminosos e compartilhavam informações que deveriam permanecer restritas às forças de segurança.
O caso é tratado pelos investigadores como um exemplo de infiltração do crime organizado dentro das estruturas do Estado.
“O fato de serem agentes do Estado dá a aquelas pessoas um poder de quem está ali ciente, acreditando realmente que está blindado. É algo muito grave e que precisa ser combatido com toda a força”, afirmou um dos investigadores responsáveis pelo caso.
A operação que levou às prisões foi deflagrada após uma investigação iniciada em maio do ano passado. Segundo a Polícia Civil, as apurações começaram depois que um traficante denunciou nas redes sociais o roubo de uma carga de drogas que, segundo a investigação, teria sido desviada por policiais para posterior revenda.
As defesas dos investigados negam as acusações. Os advogados afirmam que a inocência dos clientes será demonstrada durante o processo e contestam a interpretação dos elementos reunidos pela investigação.
O caso segue sob apuração.


