Papa denuncia “realidade dramática” da violência contra mulheres

Papa Leão 14 durante audiência geral semanal no Vaticano
07/01/2026 REUTERS/Guglielmo Mangiapane
© REUTERS/Guglielmo Mangiapane/ Proibida reprodução

Por Agência Brasil — O papa Leão XIV chamou a atenção para a “realidade dramática” da violência contra as mulheres “que, com frequência”, resulta também em feminicídios. Ele apelou à sociedade para enfrentar o problema.

Leão XIV considerou que existe “um clima envenenado nas relações familiares de abusos e opressões e, particularmente, de violência contra as mulheres que, muitas vezes, acaba lamentavelmente em feminicídios”.

“Diante dessa realidade dramática, estamos todos convocados a abordá-la, seja pessoalmente, seja como sociedade, porque é a nós que compete enfrentá-la em todas as suas dimensões”; acrescentou o papa, ao participar de uma “vigília de oração” no Estádio Olímpico de Barcelona, que reuniu 40 mil pessoas.

“Diante dessa realidade dramática, estamos todos convocados a abordá-la, seja pessoalmente, seja como sociedade, porque é a nós que compete enfrentá-la em todas as suas dimensões”; acrescentou o papa, ao participar de uma “vigília de oração” no Estádio Olímpico de Barcelona, que reuniu 40 mil pessoas.

“Não podemos atribuir a Deus o que foi confiado à nossa responsabilidade. Não podemos imaginar que Deus, desde o alto, responda às nossas necessidades de modo automático ou impeça milagrosamente que o mal aconteça”, acrescentou.

O chefe da Igreja Católica destacou que “se existe violência, se triunfa o egoísmo”, devem ser questionadas “as dinâmicas da sociedade, a cultura do individualismo, a tentação da violência, e não Deus”.

“Devemos interrogar-nos sobre o homem e sobre a humanidade, sobre como às vezes somos prisioneiros do mal até chegar a ser violentos com os outros, sobre como não conseguimos cultivar o amor e respeitar os outros na sua dignidade e liberdade”, disse.

“Devemos interrogar-nos sobre o homem e sobre a humanidade, sobre como às vezes somos prisioneiros do mal até chegar a ser violentos com os outros, sobre como não conseguimos cultivar o amor e respeitar os outros na sua dignidade e liberdade”, disse.

O papa respondeu dessa forma a uma jovem de 20 anos que, num microfone do estádio, contou ser de “um bairro muito humilde de Barcelona” e que, quando era pequena, o pai tentou matar a mãe, que se salvou devido à intervenção de um rapaz que acabou por morrer nesse episódio.

A jovem afirmou que foi retirada da família pelos serviços sociais quando tinha 10 anos e hoje estuda Direito, mas reconheceu que lhe custa perdoar o pai.

“Como posso perdoar ao meu pai, que esteve à beira de me deixar sem mãe? Como posso reconciliar-me com Deus?”, perguntou a jovem ao papa.

“Como posso perdoar ao meu pai, que esteve à beira de me deixar sem mãe? Como posso reconciliar-me com Deus?”, perguntou a jovem ao papa.

Leão XIV, que abraçou a jovem após ouvir o testemunho, disse que o perdão é “um poderoso medicamento contra o mal que cura feridas interiores”, mas reconheceu que é um caminho penoso e lento e que é preciso pensar que perdoar não significa “regressar à situação anterior”, especialmente quando o passado foi marcado por violência.

Leão XIV chegou a Espanha no sábado (6) para uma visita de sete dias.

Depois de visitar Madri, chegou a Barcelona e vai passar ainda pelas ilhas Canárias, na quinta e na sexta-feira.

Desde que está na Espanha, o papa tem feito reiteradas referências à imigração e apelado ao respeito e valorização da diversidade e da dignidade de todas as pessoas, o que voltou a repetir na “vigília de oração” em Barcelona.

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