O cenário político nacional e a condução das relações institucionais do país foram os temas centrais do pronunciamento do deputado José Dias (PL), nesta quarta-feira (3), na Assembleia Legislativa. Durante a sessão ordinária, o parlamentar criticou o que classificou como um “teatro de horrores” na gestão federal e rebateu acusações dirigidas a membros da oposição, recorrendo a fatos históricos para contestar falas recentes do Poder Executivo.
Em sua fala, o legislador demonstrou preocupação com o anúncio de investimentos vultosos às vésperas do período eleitoral, interpretando a medida como uma estratégia para “encantar” o eleitorado. José Dias também criticou a postura da Presidência da República de atribuir dificuldades e erros administrativos a adversários políticos. As críticas ocorrem em um momento de tensão diplomática, após o governo norte-americano sinalizar a imposição de uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, fundamentada em um relatório do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).
O parlamentar rebateu especificamente as alegações de que a família Bolsonaro teria influenciado negativamente a política externa dos Estados Unidos contra o Brasil. Segundo Dias, o estudo técnico da Secretaria de Comércio americana, que baseia as recentes pressões comerciais, é um trabalho de meses e não teria relação com agendas políticas recentes do senador Flávio Bolsonaro. “Se fosse verdade tamanha influência, seria um milagre. Teríamos alguém capaz de influir na política americana em favor dos nossos interesses”, ironizou.
Outro ponto de destaque no discurso foi a correção de um equívoco histórico atribuído ao Presidente da República. A manifestação do deputado faz referência a um discurso proferido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Catalão (GO), no qual afirmou que o delator Joaquim Silvério dos Reis teria sido enforcado. José Dias lembrou que, na realidade, quem sofreu a execução foi o herói Tiradentes (Joaquim José da Silva Xavier), enquanto o traidor Silvério dos Reis foi beneficiado pela Coroa Portuguesa e faleceu de causas naturais no Maranhão.
Ao encerrar sua participação, o deputado traçou um paralelo entre o período da Inconfidência Mineira e a atualidade brasileira. Para o parlamentar, a história se repete como uma “tragédia e comédia”, onde, em sua visão, inocentes enfrentam constrangimentos e prisões enquanto figuras que ele considera prejudiciais ao país ocupam cargos de relevância. “Compete a nós fazermos justiça”, concluiu.


