Menino potiguar conhece doador de medula óssea do Amapá quase dois anos após transplante

Encontro aconteceu nesta sexta-feira (22) em Natal — Foto: Reprodução/Inter TV Cabugi
Encontro aconteceu nesta sexta-feira (22) em Natal — Foto: Reprodução/Inter TV Cabugi

Por g1 RN — Um abraço apertado, cheio lágrimas e emoção. Assim ficou marcado o primeiro encontro entre um menino potiguar e um doador de medula óssea amapaense quase dois anos após a realização do transplante.

O encontro aconteceu em Natal nesta sexta-feira (22), intermediado pela Hatmo (Associação de Humanização e Apoio ao Transplantado de Medula Óssea), instituição que oferece suporte a famílias que enfrentam o processo do transplante.

Portador de anemia falciforme, Daniel Petros, de 8 anos, passou pelo transplante em julho de 2024, em São Paulo, após receber a medula óssea compatível do servidor público Andrew Roger Alves, de 34 anos, que mora em Macapá (AP).

A batalha de Daniel pela vida começou quando ele tinha apenas oito meses de idade, ao ser diagnosticado com anemia falciforme, uma doença genética que altera as células do sangue e provoca dores intensas.

Antes mesmo de completar um ano, ele precisou passar por uma cirurgia para retirar o baço.

“Foram muitas crises de dor, foram muitas internações. Ele tomava muito sangue porque qualquer febre abaixava a hemoglobina dele. Então, assim, chegou a um ponto que o baço dele não aguentou”, contou a mãe do menino, a dona de casa Francineuri Priscila da Silva.

Diante da gravidade do caso, o transplante de medula passou a se tornar a chance mais provável de cura.

A princípio, foi sugerido que a família tentasse realizar o procedimento utilizando a medula do irmão de Daniel, mas as constantes transfusões de sangue do menino – que eram feitas para evitar problemas como AVC – geraram anticorpos que aumentaram o risco de rejeição.

A esperança só se concretizou quando o sistema apontou compatibilidade com Andrew, que estava a mais de 2 mil km de distância. O amapaense havia se cadastrado voluntariamente como doador.

“Eu não tenho palavras para dizer, porque é uma criança. E saber que você vai dar uma oportunidade para uma pessoa viver, ter uma vida melhor… Isso mexe um pouco com a gente, porque eu tenho dois filhos. E assim como eu fiz, doando um pouco de vida para o Daniel, eu creio que eu ia querer também que fizessem pelos meus filhos”, falou Andrew.

Rosali Cortez, presidente da Hatmo, reforça que histórias assim ajudam a desmistificar o processo de doação e incentivam novos voluntários.

Hoje, o pequeno Daniel celebra o novo capítulo da sua vida com gratidão ao doador e com a saúde restabelecida.

“O Andrew salvou a minha vida, me deixou eu ficar curado, curou minha força e me deixou mais rápido. Estou mais forte e estou mais curado. Estou muito feliz.”