Por g1 RN — A Vigilância Sanitária de Mossoró autorizou que o Centro de Diálise onde duas pessoas morreram há um mês retorne os atendimentos. De acordo com a autoridade de saúde, a unidade cumpriu as exigências estabelecidas no termo de interdição cautelar para voltar a funcionar.
👉 Contexto: Raquel Ferreira da Silva Cabral, de 54 anos, e Iraci Inácio de Lima, de 75, morreram no dia 24 de março enquanto realizavam hemodiálise na clínica em Mossoró. Após o episódio, a clínica interrompeu as atividades e foi interditada pela Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap). Uma terceira paciente, que ficou sem atendimento após a interdição, morreu no dia seguinte. Vigilância Sanitária e Polícia Civil investigam o caso.
A clínica informou que pretende retomar os atendimentos, mas que a reabertura depende da Sesap, que, após a interdição, transferiu os mais de 200 pacientes atendidos pelo SUS na unidade para outras clínicas em Mossoró, Assú, Caicó e Natal.
Em nota, a Sesap informou que analisa informações para avaliar a possível retomada de atendimento dos pacientes SUS pelo Centro de Diálise de Mossoró.
Segundo a pasta, as equipes técnicas deram suporte à vigilância municipal para garantir o retorno dos atendimentos de forma adequada e segura.
A Vigilância Sanitária de Mossoró explicou que a clínica corrigiu as irregularidades identificadas que motivaram a interdição, o que permite a reabertura.
Segundo o órgão, a interdição foi uma medida de responsabilidade adotada no momento do ocorrido. Um auto de infração também foi lavrado, apontando risco sanitário.
A autoridade de saúde, no entanto, não detalhou quais eram as irregularidades nem o número de infrações registradas e afirmou que essas informações fazem parte das investigações conduzidas por outros órgãos.
A Vigilância destacou ainda que o processo administrativo sanitário continua em andamento, de forma independente e paralela às investigações policiais. O caso também foi encaminhado ao Ministério Público e à Polícia Civil.
A Polícia Civil informou nesta sexta-feira (24) que o inquérito ainda não foi concluído. Nesta semana, a clínica enviou documentos solicitados pelos investigadores, incluindo informações sobre manutenção de equipamentos, responsáveis técnicos, registros de máquinas e prontuários de pacientes.
Um novo ofício foi encaminhado pedindo mais dados. A polícia também aguarda os resultados de perícias realizadas pela Polícia Científica e pela Superintendência de Vigilância Sanitária (SUVISA).
Já a Polícia Científica afirmou que ainda não foi possível determinar a causa das mortes. Segundo o órgão, a ausência de necropsia nas vítimas dificulta a conclusão do caso.
Peritos da Polícia Científica relataram também à Inter TV Costa Branca que decisões tomadas após o ocorrido podem ter prejudicado a investigação, como amostras de água, por exemplo, que foram coletadas apenas depois da troca de membranas do sistema.
Um dos dialisadores analisados levantou a possibilidade de presença de ácido peracético, mas os resultados até esta sexta eram inconclusivos, segundo a Polícia Científica.
O Centro de Diálise de Mossoró interrompeu os atendimentos no dia 24 de março após a morte de duas pacientes durante sessões de hemodiálise. Ambas eram moradoras de Assú.
Segundo a clínica, o sistema de osmose apresentou uma intercorrência técnica no dia dos casos, o que levou à paralisação das atividades como medida preventiva.
A Sesap informou, na ocasião, que a interdição ocorreu por orientação da Vigilância Sanitária estadual, até que os fatos fossem apurados e a segurança dos pacientes garantida.
A unidade atendia 224 pacientes, sendo a maioria pelo Sistema Único de Saúde (SUS).


