Por g1 RN — O governo do Rio Grande do Norte retomou nesta sexta-feira (2) os seviços de hemodiálise em Assú para os pacientes estaduais após a interdição da clínica em Mossoró onde duas pessoas morreram na semana passada.
O caso é investigado pela Polícia Civil e pela Vigilância Sanitária do Rio Grande do Norte.
👉 Contexto: Raquel Ferreira da Silva Cabral, de 54 anos, e Iraci Inácio de Lima, de 75, morreram na terça-feira (27). Após o episódio, a clínica interrompeu as atividades e foi interditada pela Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap). Uma terceira paciente morreu no dia seguinte.
A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) contratou emergencialmente uma nova clínica localizada no município Assú para receber pouco mais de 130 pacientes da região.
O serviço em Assú havia sido fechado há pouco mais de dois anos devido um incêndio na antiga clínica, em dezembro de 2023.
A nova estrutura recebeu os alvarás do município e do estado, além de ser habilitada pelo Ministério da Saúde.
O Centro de Diálise de Mossoró atendia 224 pacientes, sendo 208 via SUS e 16 por convênios. A Sesap informou que os pacientes atingidos pela paralisação do Centro de Diálise de Mossoró haviam sido todos realocados em clínicas de Mossoró, Caicó e Natal de forma emergencial.
A Sesap interditou o Centro de Diálise “até que os fatos sejam apurados e a segurança dos pacientes garantida”.
O Centro de Diálise informou que o equipamento responsável pelo sistema de osmose apresentou uma intercorrência técnica que comprometeu o seu funcionamento
Sobre uma possível contaminação da água, o Centro de Diálise de Mossoró informou que adota “rigorosos padrões de controle de qualidade”, realizando “análises laboratoriais diárias por profissionais bioquímicos qualificados, além de monitoramento mensal por laboratório terceirizado”.
Segundo a clínica, todos os laudos são encaminhados mensalmente à Vigilância Sanitária, atendendo integralmente às normas vigentes.
A clínica passou por vistoria das Vigilâncias Sanitárias do RN e do município nesta quinta (26). A Polícia Científica também realizou perícia no local e recolheu um filtro com material biológico de uma das pacientes que será analisado para apontar alguma possível contaminação.
Em outra frente de investigação, o Conselho Regional de Medicina do RN (Cremern) realizou uma vistoria de aproximadamente duas horas e coletou dados que deverão compor um relatório técnico.
A unidade onde ocorreram os atendimentos passa por obras, com revestimento de corredores, devido à presença de salitre. No entanto, segundo a Vigilância Sanitária de Mossoró, não há intervenções nas salas onde são realizados os procedimentos de diálise.
A terceira morte, que não ocorreu dentro da clínica, não foi incluída na investigação policial do caso.
Marivânia Freire Mendonça, de 36 anos, era paciente renal crônica. Segundo a família, ela não conseguiu realizar a hemodiálise no dia da interdição da clínica e teve uma piora no quadro, precisando ser levada ao hospital. Ele não resistiu e morreu.


