Organização criminosa alvo de operação contra narcotráfico tinha contratos com a prefeitura de Pombal, diz Polícia Civil

Organização criminosa alvo de operação contra narcotráfico em quatro estados tinha contratos com a prefeitura de Pombal  — Foto: Polícia Civil/Divulgação
Organização criminosa alvo de operação contra narcotráfico em quatro estados tinha contratos com a prefeitura de Pombal — Foto: Polícia Civil/Divulgação

Por g1 PB — Uma organização criminosa que foi alvo de uma operação que cumpriu mais de 40 mandados de prisão, em quatro estados do país, e teve R$ 104 milhões bloqueados em contas bancárias, tinha contratos com a Prefeitura Municipal de Pombal, no Sertão da Paraíba. As informações foram confirmadas pela Polícia Civil durante uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira (26).

O g1 entrou em contato com a prefeitura da cidade, que informou “desconhecer” essa informação e que o setor jurídico vai ser acionado para apurar junto a delegacia de Polícia Civil que empresas são essas.

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Conforme o que foi divulgado pela Polícia Civil, em Pombal, além da ligação com contratos públicos mantidos pelas empresas, também havia alvos que lavavam o dinheiro da facção por meio da venda de veículos. Segundo as investigações, lojas de automóveis eram utilizadas para ocultar e dar aparência legal aos recursos obtidos com o crime. As mesmas empresas que movimentavam esse dinheiro também participavam de licitações públicas e prestavam serviços à prefeitura do município.

Durante a operação, foram presos dois líderes da organização criminosa, um em São Paulo, identificado como Chocô, que era o principal alvo da Polícia Civil, e um homem identificado como Luciano, preso em Pombal e apontado como principal operador financeiro da facção na Paraíba.

As drogas da facção criminosa eram transportadas de São Paulo por meio de caminhões, que faziam o translado entre o sudeste do país e também da fronteira com países como Bolívia e Paraguai até estados do Nordeste.

Muitas vezes, de acordo com a Polícia Civil, as empresas que faziam esse transporte sequer sabiam que estavam levando as drogas, que era colocada nas carretas de forma clandestina.

Chocô, o chefe da organização, preso em Hortolândia, em São Paulo, apesar de ser o operador de transportes dessas quantidades de drogas, não fazia o contato direto com o material e cuidava apenas do envio das cargas.

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A operação Argos foi deflagrada na manhã desta quinta-feira (26) e, até o final da manhã já tinham sido cumpridos 26 mandados de prisão, de um total de 44 expedidos pela Justiça. A ação também cumpre mandados de busca e apreensão e determinou o bloqueio de valores em contas bancárias ligadas aos investigados.

Além da Paraíba, há cumprimento de ordens judiciais em São Paulo, Bahia e Mato Grosso, envolvendo 400 policiais ao todo na Operação Argos.

Para interromper o funcionamento da organização, a Justiça autorizou um conjunto de medidas que, segundo a Polícia Civil, têm como objetivo enfraquecer financeiramente o grupo. Entre as determinações estão:

Uma das linhas de investigação da Operação também aponta que empresas que eram responsáveis pela lavagem de dinheiro envolvidas no tráfico de drogas também participavam de licitações em prefeituras, como a Prefeitura de Pombal.

Não há indícios ainda, no entanto, em relação ao envolvimento das administrações municipais. Segundo o delegado, todo material colhido nesta primeira fase da operação será analisado e é provável que ela seja desdobrada em uma nova fase.