Após intimidações, ONG restringe operações em hospital de Gaza

A Palestinian nurse feeds a newborn in an incubator, amid the Israel-Hamas conflict, at a hospital in Deir Al-Balah in the central Gaza Strip, September 10, 2024. REUTERS/Ramadan Abed
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Por Agência BrasilOs Médicos Sem Fronteiras (MSF) anunciaram neste sábado (14) a suspensão de parte das suas operações em um dos maiores hospitais ainda em funcionamento na Faixa de Gaza, após pacientes e funcionários terem relatado a presença de homens armados e encapuzados.

Em um comunicado publicado no portal da organização humanitária, os MSF informaram que todas as atividades médicas não críticas no Hospital Nasser foram suspensas devido a “falhas de segurança”, ressaltando que a presença de homens armados representa “grave ameaça à segurança das equipes médicas e dos pacientes”.

O Hospital Nasser, na cidade de Khan Younis, é um dos poucos ainda em operação no enclave palestino. Centenas de pacientes e feridos de guerra foram tratados ali, e a unidade serviu também de ponto de acolhimento para prisioneiros palestinos libertados por Israel em troca de reféns israelenses, no âmbito do acordo de cessar-fogo, implementado em outubro.

“As equipes dos MSF relataram um padrão de atos inaceitáveis, incluindo a presença de homens armados, intimidação, detenções arbitrárias de doentes e uma situação recente de suspeita de movimentação de armas”, diz o comunicado.

A organização informa ainda que não está claro quem são os homens armados.

Os grupos armados se multiplicaram em Gaza após a guerra, incluindo vários apoiados pelo exército israelense na parte do enclave sob controle de Israel.

Funcionários do Hospital Nasser afirmam que, nos últimos meses, a unidade foi repetidamente atacada por membros de grupos armadas e milícias, apesar da presença policial no local.

A organização indicou ter manifestado preocupação junto das autoridades competentes, sublinhando que os hospitais devem permanecer espaços civis e neutros.

Os MSF acrescentaram que as suas preocupações foram também agravadas por ataques anteriores deliberados de Israel contra instalações de saúde durante o conflito.

Ao longo da guerra, Israel atacou hospitais em diversas ocasiões, incluindo o Hospital Nasser, acusando o Hamas de operar no seu interior ou nas imediações. Elementos de segurança do Hamas foram igualmente vistos com frequência dentro de hospitais, bloqueando o acesso a determinadas áreas.

Alguns dos reféns libertados de Gaza afirmaram ter permanecido em hospitais durante o período de cativeiro.

O Ministério do Interior controlado pelo Hamas, que supervisiona a força policial em Gaza, anunciou hoje que a polícia será destacada para garantir a segurança dos hospitais e eliminar a presença de homens armados, indicando que vai instaurar processos judiciais contra os infratores e que está implementando medidas mais rigorosas para assegurar a segurança dos pacientes.

Embora o direito internacional confira aos hospitais proteção especial em tempo de guerra, estas unidades podem perder essa imunidade se combatentes as utilizarem para esconder combatentes ou armazenar armas, segundo o Comitê Internacional da Cruz Vermelha. 

Ainda assim, deve haver aviso prévio que permita a evacuação de profissionais de saúde e pacientes antes de qualquer operação. Se os danos causados a civis por um ataque forem desproporcionais diante do objetivo militar, isso constitui uma violação do direito internacional.

Organizações humanitárias e de defesa dos direitos humanos afirmam que Israel devastou o sistema de saúde de Gaza, forçando o fechamento da maioria dos hospitais e causando graves danos a outros.

Durante o conflito, as forças israelenses realizaram incursões em vários hospitais e atacaram outros, detendo centenas de profissionais de saúde.

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