O vice-governador do Rio Grande do Norte, Walter Alves (MDB), formalizou nesta segunda-feira, 19 de janeiro, uma decisão de forte impacto no tabuleiro político estadual: não assumirá o comando do Executivo potiguar e disputará uma vaga na Assembleia Legislativa nas eleições de 2026. A posição foi comunicada pessoalmente à governadora Fátima Bezerra (PT), durante reunião realizada no início da manhã.
Em nota encaminhada à imprensa, Walter deixou claro que sua escolha representa um redirecionamento estratégico de seu projeto político. Segundo ele, mesmo diante de um eventual cenário de renúncia da governadora, não há disposição para assumir o Governo do Estado. “Comuniquei que não assumirei o cargo de governador, caso haja renúncia. Também informei que sou pré-candidato a deputado estadual”, afirmou.
A sinalização vai além de uma decisão individual. Como presidente estadual do MDB, Walter Alves utilizou o encontro para alinhar posicionamentos partidários tanto no plano nacional quanto no estadual. No cenário federal, reafirmou o compromisso do MDB com a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em consonância com o entendimento firmado entre o presidente nacional da legenda, Baleia Rossi, e o presidente nacional do PT, Edinho Silva.
No âmbito local, a movimentação é ainda mais reveladora. Walter comunicou à governadora que o MDB potiguar definiu, após consultas internas, uma estratégia de aliança para a sucessão estadual que passa pela aproximação com a Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, além do PSD. O gesto indica um reposicionamento calculado do partido, que busca ampliar seu espaço de influência no próximo ciclo político, mesmo fora do núcleo governista estadual.
A decisão de não assumir o Executivo, ainda que constitucionalmente legitimado para tal, revela uma leitura pragmática do cenário eleitoral. Ao optar pela disputa proporcional, Walter Alves preserva capital político, evita o desgaste de um eventual mandato curto e herda protagonismo nas articulações legislativas, onde o MDB historicamente mantém força e capilaridade.
A renúncia ao posto de vice-governador, portanto, não representa um afastamento da cena política, mas sim uma reconfiguração estratégica. Walter passa a concentrar esforços na consolidação de sua pré-candidatura à Assembleia Legislativa, mantendo-se como uma das principais lideranças partidárias do Estado e peça relevante na engenharia política que começa a ser desenhada para 2026 no Rio Grande do Norte.


