Proibido de ir aos EUA, Abbas pede apoio da ONU para Estado Palestino

Palestinian President Mahmoud Abbas addresses the 80th United Nations General Assembly via video, at U.N. headquarters in New York, U.S., September 25, 2025.  REUTERS/Caitlin Ochs     TPX IMAGES OF THE DAY
© REUTERS/Caitlin Ochs/Proibida reprodução

Por Agência Brasil — Proibido de viajar à Nova York por ter tido o visto negado pelo governo Trump, o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, discursou por videoconferência, nesta quinta-feira, na 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU). 

O líder palestino apelou aos países para que adotem medidas que interrompam o genocídio na Faixa de Gaza, bloqueiem a expansão ilegal de Israel na Cisjordânia e viabilizem a construção do Estado palestino com Jerusalém Oriental como a capital.

Abbas elencou oito medidas para viabilizar o Estado palestino, denunciou que Israel tem planos expansionistas em toda região; criticou o Hamas e disse estar pronto para trabalhar com os Estados Unidos (EUA).  

“Uma comissão foi designada para redigir a Constituição provisória e concluirá seus trabalhos dentro de três meses, para que passemos da Autoridade para o Estado. Desejamos um Estado moderno e democrático que respeite o direito internacional, o Estado de Direito e o multilateralismo, bem como a transição pacífica do poder”, afirmou, acrescentando o desejo de “empoderar as mulheres e os jovens”.   

“Uma comissão foi designada para redigir a Constituição provisória e concluirá seus trabalhos dentro de três meses, para que passemos da Autoridade para o Estado. Desejamos um Estado moderno e democrático que respeite o direito internacional, o Estado de Direito e o multilateralismo, bem como a transição pacífica do poder”, afirmou, acrescentando o desejo de “empoderar as mulheres e os jovens”.   

Israel já afirmou que não permitirá a construção de um Estado palestino e tem expandido a colonização de terras na Cisjordânia, enquanto amplia a guerra em Gaza e defende a saída dos palestinos do território sob cerco.

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O governo de Tel Aviv também reivindica toda Jerusalém como capital do país, medida que tem o apoio do governo de Donald Trump. 

Em discurso na Assembleia Geral, Abbas fez duras críticas à política de Israel e destacou que o genocídio em Gaza será registrado como um dos capítulos mais horríveis da humanidade.

“O que Israel está realizando não é meramente uma agressão. É um crime de guerra e um crime contra a humanidade, ambos documentados e monitorados. E será registrado nos livros de história e nas páginas da consciência internacional como um dos capítulos mais horrendos de tragédia humanitária nos séculos 20 e 21”, lamentou.

“O que Israel está realizando não é meramente uma agressão. É um crime de guerra e um crime contra a humanidade, ambos documentados e monitorados. E será registrado nos livros de história e nas páginas da consciência internacional como um dos capítulos mais horrendos de tragédia humanitária nos séculos 20 e 21”, lamentou.

A ONU, diversos países e associações de estudiosos e de direitos humanos classificam a ação de Israel em Gaza como genocídio.

Nas últimas semanas e meses, diante do avanço de Israel sobre Gaza e Cisjordânia, países como Reino Unido, Austrália, França, Canadá, Espanha, entre outros, passaram a reconhecer o direito da Palestina ser um Estado, gerando reação contrária de Israel e dos EUA. Ao todo, 149 dos quase 190 países da ONU já reconhecem a Palestina. 

A ANP controla cerca de 18% da Cisjordânia e foi criada após os Acordos de Oslo, assinados na década de 1990 e que pretendiam ser a solução para o conflito que já dura 75 anos

Por outro lado, o Hamas tinha o controle de Gaza desde 2006, quando venceu as eleições legislativas palestinas em pleito considerado limpo por observadores internacionais. Porém, Israel, EUA e potências europeias não aceitaram o resultado, o que levou à guerra civil entre ANP e Hamas e provocou a separação de Gaza da Cisjordânia

Abbas criticou o ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023, dizendo que aquele episódio não representa o povo palestino e defendeu que o Hamas não teria participação no governo de Gaza após a guerra.

“Rejeitamos o que o Hamas realizou em 7 de outubro que visaram civis israelenses e os fizeram reféns, porque essas ações não representam o povo palestino, nem representam sua justa luta por liberdade e independência”, destacou o líder da ANP.

“Rejeitamos o que o Hamas realizou em 7 de outubro que visaram civis israelenses e os fizeram reféns, porque essas ações não representam o povo palestino, nem representam sua justa luta por liberdade e independência”, destacou o líder da ANP.

Para Abbas, o Hamas e outras organizações terão que entregar suas armas à Autoridade Nacional Palestina e argumentou que a ANP não deseja um Estado armado.

“A Faixa de Gaza é parte integrante do Estado da Palestina e estamos prontos para assumir total responsabilidade pela governança e segurança ali”, completou.

O chefe da ANP, Mahmoud Abbas, denunciou ainda a expansão dos assentamentos ilegais de Israel na Cisjordânia e argumentou que essa é uma ação para inviabilizar a construção do Estado palestino.

“O governo israelense continua a implementar suas políticas de assentamento e do desenvolvimento de projetos para anexar territórios. O mais recente foi o plano de construção para o projeto E1, que dividiria a Cisjordânia em duas partes e isolaria Jerusalém ocupada de seus arredores, minando a opção da solução de dois Estados”, disse.

No mês passado, Israel autorizou a construção de novos assentamentos judeus no subúrbio de Jerusalém Oriental, isolando essa parte da cidade da Cisjordânia ocupada.

Abbas lembrou que a ANP reconhece o direito de Israel de existir e que os Acordos de Oslo foram minados pelos sucessivos governos de Tel Aviv.

“Empregamos todos os nossos esforços para construir as instituições de um Estado palestino moderno que conviva lado a lado em paz e segurança com Israel. Mas Israel não cumpriu os acordos assinados e tem trabalhado sistematicamente para os minar”, afirmou.

“Empregamos todos os nossos esforços para construir as instituições de um Estado palestino moderno que conviva lado a lado em paz e segurança com Israel. Mas Israel não cumpriu os acordos assinados e tem trabalhado sistematicamente para os minar”, afirmou.

Ainda segundo Abbas, o objetivo de Israel é criar a chamada Grande Israel, que iria do Rio Nilo ao Rio Eufrates e ocuparia hoje o Líbano, a Jordânia, além de parte do Egito, da Síria e da Arábia Saudita.

“O Primeiro-Ministro israelense anunciou um plano para o que ele denomina de Grande Israel, o qual rejeitamos e deploramos completamente, e que envolve a expansão para estados árabes soberanos”, denunciou.

“O Primeiro-Ministro israelense anunciou um plano para o que ele denomina de Grande Israel, o qual rejeitamos e deploramos completamente, e que envolve a expansão para estados árabes soberanos”, denunciou.

Apesar do Estado israelense não admitir abertamente o plano da Grande Israel, tal projeto é apontado por críticos como um dos objetivos ocultos do Estado israelense.

Conheça as oito medidas listadas por Mahmoud Abbas para construir a paz no Oriente Médio e possibilitar a construção do Estado palestino.