A pesquisa realizada pela Anatel em parceria com o Idec expõe de forma clara a desigualdade digital no Brasil. Um dos pontos centrais do levantamento é o tempo em que a população fica sem acesso à internet móvel devido ao esgotamento da franquia de dados. Entre as pessoas com renda de até um salário mínimo, mais de um terço ficou sete dias ou mais desconectado nos 30 dias anteriores ao estudo. Esse problema é ainda mais grave entre os mais pobres: 11,6% passaram mais de 15 dias sem acesso, contra apenas 2,2% das pessoas com renda superior a três salários mínimos.
Os efeitos dessa falta de conectividade atingem diretamente direitos e serviços básicos. Mais da metade dos entrevistados relatou que, por não ter acesso à internet, deixou de utilizar serviços bancários, plataformas do governo, oportunidades de estudo e até consultas de saúde online. O levantamento também destacou a barreira financeira na aquisição de dispositivos: enquanto 51% dos consumidores de baixa renda possuem celulares de até R\$ 1 mil, nas faixas de renda mais altas predominam aparelhos mais caros e modernos, o que aprofunda ainda mais a exclusão digital.
Outro dado importante é que quase metade das pessoas que não possuem computador apontou o alto custo como principal motivo, seguido da falta de interesse e de conhecimento no uso. Apesar disso, o estudo mostra que os consumidores preferem computadores ao celular para tarefas essenciais, como acessar serviços públicos ou realizar compras online. Essa contradição reforça a necessidade de políticas públicas mais amplas, que garantam acesso à internet de qualidade e a dispositivos adequados, além de programas de capacitação digital para reduzir desigualdades e promover inclusão efetiva.

