Famílias de jovens mortos no Conde desabafam após prisão de policiais: ‘não foi confronto, foi uma chacina’

Prisão de policiais do Conde repercute entre famílias das vítimas — Foto: Reprodução / TV Cabo Branco
Prisão de policiais do Conde repercute entre famílias das vítimas — Foto: Reprodução / TV Cabo BrancoCinco jovens morreram durante ação policial em João Pessoa — Foto: Reprodução/TV Cabo BrancoGuia do Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa mostra que cinco jovens chegaram mortos — Foto: Reprodução/TV Cabo Branco

Por g1 PB — A prisão de policiais envolvidos na morte de cinco jovens no Conderepercutiu entre familiares das vítimas. Mães e parentes foram até a Cidade da Polícia, nesta segunda-feira (18), com cartazes e fotos dos filhos em protesto. Elas afirmaram que não acreditavam que haveria justiça e receberam com surpresa a notícia da prisão temporária dos agentes.

De acordo com a perícia, não houve confronto. Os laudos apontaram que os dois carros onde estavam os jovens foram atingidos por 90 disparos feitos de fora para dentro. Apenas um tiro foi disparado de dentro de um dos veículos, segundo a investigação.

📱Baixe o app do g1 para ver notícias do PB em tempo real e de graça

As mães carregaram cartazes e lembranças dos filhos. A mãe de Emerson Almeida de Oliveira, de 25 anos, disse que recebeu a notícia com alívio, mas contou a dor de perder o filho.

As mães contam que, apesar da prisão, ainda têm dificuldades em confiar no processo. Isso porque a perícia não foi feita no local do crime. Os próprios peritos afirmaram que a cena foi modificada, o que atrapalhou as investigações.

A esposa de uma das vítimas relatou como a perda afetou os filhos. Um deles é autista e dependia do pai para ir às terapias. “Está complicado porque ele sente a falta do pai e não tem mais como se locomover para a terapia. Ele não é mais a mesma criança e também deixou outra criança de 9 anos”, contou.

LEIA MAIS: Cinco mortos em ação da PM:’Quando uma mãe perde um filho, todas perdem’, diz líder comunitária em enterro

As famílias afirmaram que todos os jovens eram trabalhadores e tinham planos para o futuro. “Estou feliz por essa notícia de hoje. Que eles paguem, porque isso não foi um confronto, foi uma chacina. Passa um filme na cabeça todos os dias”, disse uma das mães.

A defesa dos policiais presos, por meio do advogado Luiz Eduardo, afirmou que eles estavam cumprindo mandado de prisão temporária e que acreditam que os agentes serão soltos ao final do prazo.

Segundo o advogado, os policiais realizavam um “checkpoint” , que é um ponto de fiscalização,quando foram surpreendidos pela chegada de dois veículos.

Uma operação da Força Tática do 5º Batalhão da Polícia Militar terminou com a morte de cinco jovens na noite de 15 de fevereiro, no bairro Valentina, em João Pessoa. O caso aconteceu horas depois de um feminicídio registrado no Conde e, segundo a PM, o grupo estaria se preparando para uma retaliação.

As vítimas foram identificadas como:

De acordo com a versão apresentada pela Polícia Militar, os jovens estavam em dois carros e teriam trocado tiros com os policiais. As equipes estavam em duas viaturas e relataram que os ocupantes dos veículos estavam armados.

O laudo da perícia, porém, apontou outro cenário. Um dos carros recebeu 74 disparos e o outro, 18. Todos os tiros partiram de fora para dentro, com exceção de apenas um disparo feito de dentro de um dos veículos. Além disso, a análise não ocorreu no local do crime, mas em outro espaço, o que prejudicou as investigações porque a cena já havia sido modificada.

As cinco vítimas foram levadas em viaturas da PM para o Hospital de Trauma, mas chegaram à unidade já sem vida, segundo a instituição.