Cultivo de ostras é fonte de renda para indígenas potiguara, em Rio Tinto, na PB

Momento de coleta das ostras para cultivo — Foto: TV Cabo Branco/Reprodução
Momento de coleta das ostras para cultivo — Foto: TV Cabo Branco/ReproduçãoOstras cultivadas pela comunidade indígena da Aldeia Jaraguá, em Rio Tinto, na Paraíba — Foto: TV Cabo Branco/ReproduçãoOstras passam por um processo de depuração antes de serem servidas como alimento — Foto: TV Cabo Branco/Reprodução

Por g1 PB — O cultivo de ostras tem se tornado uma das principais fontes de renda da comunidade potiguara de Rio Tinto, na Paraíba. A cidade, que possui 24.581 habitantes, conta com uma população de 6.175 indígenas, que historicamente realizavam o consumo e o extrativismo das ostras, que se transformou em cultivo.

A atividade ganhou destaque na série ‘Território de Negócios’, exibida no JPB2, da TV Cabo Branco, em alusão ao Dia dos Povos Indígenas, celebrado neste sábado, 19 de abril.

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O cultivo das ostras realizado na Aldeia Jaraguá, na Terra Indígena Monte-Mor, é uma atividade passada de geração para geração. O que começou como um ato de subsistência, apenas para servir de alimento para os próprios indígenas, se tornou uma fonte de renda para a comunidade, que comercializa ostras até para fora do estado, em restaurantes das cidades de Recife e Natal.

De acordo com ostreicultor conhecido como Major das Ostras, o cultivo de ostras no local não possui uma associação própria porque a maioria dos mergulhadores responsáveis pelo cultivo trabalham de modo independente. “Cada um tem uma parte aqui. Cada um tem sua produção”, destacou

Antes de serem servidas à mesa, as ostras vão para outros estados, onde crescem por mais seis meses e passam por um processo de depuração. De acordo com Tito Ramalho, professor de gastronomia, a prática consiste em deixar as ostras em tanques e aquários para que passem por uma espécie de limpeza.

“Como elas [as ostras] são animais filtradores, se houver algum tipo de contaminante na água, eventualmente elas também vão se contaminar. [No processo de depuração] há uma filtração da água, uma inserção de vários tipos de agente de limpeza, como cloro, ozônio, tratamento com luz ultravioleta que tornam elas [as ostras] um produto seguro”, disse o professor.

De acordo com a doutora em Antropologia, Cristina Potiguara, a tradição do cultivo de ostras da comunidade indígena com a comercialização que tem sido realizada atualmente é um retrato de que os costumes das gerações antigas precisam estar alinhadas às mudanças no território para garantir que a prática não prejudique o ambiente da aldeia.

“O caminhar do saber tradicional com o saber contemporâneo precisam ser juntos”, afirma.