Tragédia aérea vitimou 71 pessoas, entre jogadores, dirigentes, jornalistas e convidados. — Foto: Agência Reuters

Por Eduardo Florão e Guto Marchiori, ge — As famílias das vítimas do acidente aéreo da Chapecoense ainda tentam na justiça a indenização do seguro da aeronave que fazia o transporte da delegação para a final da Copa Sul-Americana, em 29 de novembro de 2016. Foram 71 vítimas fatais entre jogadores, funcionários, convidados e jornalistas. A busca por respostas é incansável. Embora alguns passos tenham sido dados em cinco anos, nada foi resolvido.

O avanço da CPI no Senado em determinados temas conseguiu que pessoas diretamente ligadas à tragédia, como o dono da LaMia, Ricardo Albacete, e responsáveis pelas seguradoras e resseguradoras da aeronave, fossem ouvidas.

O avião da LaMia, que caiu nas proximidades de Medellín, possuía uma apólice de seguro contratada no valor de US$ 25 milhões – valor abaixo do usado para voos deste tipo –, mas a seguradora se recusa a fazer o pagamento por considerar que havia problemas no voo. As famílias, por sua vez, apontam outras irregularidades na contratação do seguro e na liberação do voo e buscam reparação.

– Fazendo um apanhado desses cinco anos, acho que foi um período de muito esforço, muita luta, muito trabalho. O principal de todos, acredito eu, que tenha sido das famílias para lidar com as questões emocionais que surgiram a partir desse luto. Esse é o trabalho mais pesado e mais difícil de todos. Infelizmente, não se pode falar pelo grupo, pois é muito particular. Mas quando falamos da associação, acho que podemos falar de pequenas vitórias, de degraus que conseguimos subir. Um deles é uma ação criminal que trâmita na Bolívia. Outro é uma ação cível que busca explicações e justiça cobrando da aerocivil, que é o órgão regulador do espaço aéreo da Colômbia. Nos Estados Unidos, há uma ação de 42 famílias que não aceitaram o fundo humanitário – explicou Mara Paiva, viúva do ex-comentarista Mário Sérgio e presidente da Associação dos Familiares das Vítimas do Voo da Chapecoense.

Apenas o zagueiro Neto sobreviveu na queda do avião — Foto: Nelson Almeida / AFP