Jovens exibem cartazes em protesto antirracista em estacionamento do Carrefour em Natal — Foto: Julianne Barreto/Inter TV Cabugi

Por Julianne Barreto e Augusto César Gomes e G1 RN — Cerca de 150 pessoas participaram de protesto antirracista neste sábado (21), no estacionamento do supermercado Carrefour em Natal. A manifestação ocorreu em solidariedade a João Alberto Silveira Freitas, cidadão negro que foi espancado e morto por seguranças da rede varejista em Porto Alegre.

Durante o protesto, a unidade do supermercado localizada no bairro de Candelária, na zona Sul da capital potiguar, fechou as portas e não permitiu a entrada de clientes. “Acredito que essa ação que estamos fazendo corrobora com todo movimento negro antirracista que se organizou desde quando ocorreu o assassinato, em Porto Alegre. Em solidariedade a isso, nós estamos aqui para construir o ato porque o racismo, infelizmente, não acontece só lá”, falou Patrícia Santiago, representante da Frente de Juventude Negra e Antirracista da UJS Potiguar.

Grupo realiza protesto antirracista em unidade do Carrefour em Natal — Foto: Julianne Barreto/Inter TV Cabugi

A manifestação foi organizada pelas redes sociais e contou com a participação de universitários e representantes de movimentos sociais. Muitos deles levaram cartazes com mensagens de combate ao racismo. Também foram realizados discursos. Duas viaturas da Polícia Militar estiveram no local.

“Não é a primeira vez, não é a segunda, e a gente tem a certeza que não será a última. Esperar até quando? Esperar até que seja um parente nosso? A gente não pode deixar isso acontecer e está aqui para lutar”, falou Letícia Miranda, estudante do IFRN e integrante do coletivo Juntos Potiguar.

Para ela, o movimento tem o objetivo de despertar a consciência de toda a população para os casos ocorridos no país. “Tem gente que acredita ainda que o mundo não é racista, ou que o racismo ficou lá atrás, e não ficou. Quando a gente vê que só pessoas pretas morrem, que a bala perdida tem um alvo, sim, que são as pessoas de pele negra, a gente entende que o racismo não acabou e a gente precisa mudar essa consciência”, completou.

Por volta das 18h, o grupo fechou a marginal da BR-101, próxima ao supermercado, durante 20 minutos. Com gritos de ordem, manifestantes chegaram a queimar um carrinho de compras do supermercado. O trânsito ficou lento na região.