Justiça avalia se solta assassino do cinema de shopping após 20 anos

Assassino que matou três pessoas que assistiam filme em 1999 está internado há quase dez anos em hospital psiquiátrico na Bahia — Foto: Fernando Pereira/Veja SP.

Por Kleber Tomaz, Danutta Rodrigues, Alan Tiago Alves e Renato Ferezim, G1 SP, G1 BA e Fantástico — A Justiça da Bahia avalia se solta o assassino que matou a tiros três pessoas e feriu outras cinco durante um filme no cinema de um shopping em 1999 em São Paulo.

Ele deverá passar por um terceiro exame psiquiátrico para saber se poderá deixar o Hospital de Custódia e Tratamento, onde está internado há quase dez anos em Salvador. Lá, o assassino cumpre medida de segurança restritiva de liberdade para tratamento contra esquizofrenia, tomando remédios controlados. Antes de a doença mental ter sido confirmada por laudos médicos, o assassino cumpria pena de prisão na capital baiana pelo crime cometido há 20 anos em São Paulo.

Dois exames anteriores foram favoráveis à desinternação dele, mas o Ministério Público (MP) da Bahia quer que o assassino passe por mais testes psiquiátricos para saber se ele não oferece riscos caso venha a sair do hospital.

O MP, no entanto, é contra a saída imediata do assassino. Entende que ela tem de ser gradativa pois isso “pode ter consequências graves para si, para sua família e para a sociedade”. Já a defesa alega que seu cliente pode deixar o hospital e continuar o tratamento em casa com a família.

Não há confirmação se os novos exames foram realizados. Os resultados deles deverão ajudar a Justiça a decidir se aceita ou o não o pedido de desinternação do assassino feito pelo seu advogado. A defesa alega que ele não cometerá mais crimes se for solto.

que possa ser desinternado” são algumas argumentações do relatório psiquiátrico que o hospital fez em 2018. Outro exame deste ano também foi favorável a soltar o assassino.

Questionado se o assassino tem condições de voltar a conviver em sociedade, o advogado dele, Vivaldo do Amaral Adães, respondeu: “Eu tenho certeza. E desde já. É por isso que nós pedimos a desinternação dele e estamos aguardando que a Justiça se manifeste”.
Indagado se o assassino voltaria a matar após ser solto, Vivaldo foi taxativo: “Não, eu não acredito. Não existe nenhuma possibilidade de isso acontecer. [Ele] está bem, [ele] está estabilizado, tomando os remédios, sendo acompanhado, tendo uma vida normal”, comentou. “E eu tenho certeza que, ao sair, [ele] voltará a ter uma vida normalíssima, estudando, trabalhando, convivendo com seus familiares, com seus amigos”.