Incêndio no hospital Badim na Tijuca na Rua São Francisco Xavier pacientes são evacuados, camas chegaram a ser montadas no meio da rua, na noite desta quinta-feira (12) no Rio de Janeiro, RJ. — Foto: CELSO PUPO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

Por Cristina Boeckel e Fernanda Rouvenat, G1 Rio

A direção do Hospital Badim – atingido por um incêndio na noite desta quinta-feira (12) – afirmou nesta sexta (13) que os bombeiros encerraram, no fim da madrugada, as buscas por mortos. Ao menos 10 corpos – todos de pacientes e idosos – foram retirados.

Por volta das 15h desta sexta, o diretor do hospital, Fabio Santoro, afirmou que o incêndio deixou 11 mortos. A mesma informação foi dada pela Defesa Civil, ainda durante a madrugada.

No início da tarde, no entanto, a Polícia Civil comunicou que 10 corpos estavam no Instituto Médico Legal (IML).

Segundo exames preliminares, a maioria das vítimas estava no CTI do hospital e morreu asfixiada com a fumaça, sem queimaduras graves. Algumas pereceram com o desligamento dos aparelhos.

“A maioria foi por asfixia, alguns casos não, mas coisas correlacionadas ao acidente (…) São descompensações das doenças que as pessoas, relacionadas aos aparelhos que as mantinham vivas e que deixaram de funcionar com o incêndio”, explicou Gabriela Garça, diretora do IML que coordenou a necropsia.

Em entrevista ao RJ1, o coronel do Corpo de Bombeiros Luciano Sarmento, subchefe Operacional da corporação, afirmou que militares combateram fogo dentro do Centro de Tratamento Intensivo da unidade, e que o local era muito confinado. Inclusive, os bombeiros precisaram quebrar paredes da sala para permitir que a fumaça saísse.

“Ao fundo do CTI havia fogo. E na parte mais profunda também, né? A gente pode imaginar que era a mesma prumada, e existia fogo. Então, na busca das vítimas do CTI nós também fizemos um combate a incêndio, na parte posterior do CTI. Era um local muito confinado, onde tínhamos uma quantidade muito grande de fumaça, onde precisávamos ventilar esse local. Nós chegamos com uma estratégia de quebrar a parede, pra que pudesse fazer uma ventilação ali”, explicou o oficial.

Mortos na tragédia (veja quem são):

  1. Alayde Henrique Barbieri, 96 anos;
  2. Ana Almeida do Nascimento, 90 anos;
  3. Berta Gonçalves Barreira de Souza, 93 anos;
  4. Darcy da Rocha Dias, 88 anos;
  5. Irene Freiras de Brito, 84 anos;
  6. José Costa de Andrade, 79 anos;
  7. Luzia dos Santos Melo, 88 anos;
  8. Maria Alice Teixeira da Costa, 76 anos;
  9. Marlene Menezes Fraga, 85 anos;
  10. Virgílio Claudino da Silva, 66 anos.
  11. Ivone Cardoso, idade não confirmada

A direção do hospital abriu os canais [email protected] e 971013961 (com acesso ao WhatsApp) para atender parentes de vítimas.

Resumo até aqui

  • 10 pacientes morreram após um incêndio de grandes proporções no Hospital Badim
  • Maioria das mortes foi por asfixia; ninguém morreu queimado
  • O número de feridos não foi confirmado
  • O fogo começou por volta das 18h30 de quinta-feira, e a fumaça se espalhou
  • A suspeita é que chamas começaram após um curto-circuito em um gerador, mas a hipótese não foi confirmada
  • Hospital diz houve falta de luz antes do fogo; Light afirma que não registrou queda de energia
  • 103 pessoas estavam internadas na unidade no momento do incêndio, das quais 90 foram transferidas
  • 224 funcionários trabalhavam no turno quando as chamas começaram – nenhum deles morreu, segundo o hospital
  • Unidade foi esvaziada, e pacientes foram levados para ruas próximas, onde ficaram em macas
  • Hospital tinha licenças em dia, segundo Bombeiros e prefeitura
  • Defesa Civil interditou o prédio do hospital após incêndio

Remoção de pacientes

A varredura dos bombeiros começou por volta das 21h45, cerca de uma hora após o fogo ter sido considerado debelado, e seguiu pela madrugada. Os corpos foram retirados em sacos e levados ao Instituto Médico-Legal (IML).

Segundo os bombeiros, cerca de 90 dos 103 pacientes internados foram transferidos para as seguintes unidades de saúde:

  • Anexo do Badim, que não foi atingido no incêndio;
  • Hospital Universitário Gaffrée e Guinle;
  • Hospital Israelita Albert Sabin;
  • Hospital Municipal Souza Aguiar;
  • Hospital Copa D’Or;
  • Hospital Quinta D’Or;
  • Hospital Norte D’Or;
  • Hospital Caxias D’Or;
  • Hospital Rio’s D’Or.

Enfermeiros, médicos, bombeiros e moradores da região ajudaram a acomodar pacientes em colchões nas calçadas na Rua São Francisco Xavier e em uma creche vizinha.