O debate proposto pelo deputado Francisco do PT discutiu os desafios, as lutas e as políticas públicas — Foto: João Gilberto

Em alusão ao Dia do Estudante, celebrado no dia 11 de agosto, bem como ao Dia Internacional da Juventude, comemorado no dia 12, a Assembleia Legislativa realizou audiência pública, nesta quinta-feira (15). Sob o tema “Juventude em luta por terra, pela vida e por direitos”, o debate proposto pelo deputado Francisco do PT discutiu os desafios, as lutas e as políticas públicas que podem ser implantadas em benefício dos jovens do nosso estado.

“Todos nós sabemos a importância da juventude nas lutas políticas. Nós não vivemos dias fáceis e percebemos um avanço do conservadorismo e autoritarismo. A retirada de direitos trabalhistas, os cortes na Educação, a negação do direito à terra, a tentativa de criminalização das lutas sociais. Tudo isso prejudica a juventude do país, e estamos aqui hoje para encontrar soluções de uma vida melhor para os nossos jovens”, destacou Francisco do PT.

Gabriel Medeiros, Subsecretário de Juventude do RN, enriqueceu a discussão com dados estatísticos sobre a realidade dos jovens do estado.

“Segundo o Atlas da Violência do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em 2017, o RN era o estado que mais assassinava jovens no Brasil, com um índice de 152 a cada 100 mil. Além disso, de acordo com o IBGE, até o segundo semestre de 2018, o RN tinha 30% de índice de desocupação, que é a juventude que não trabalha nem estuda. E, dos que trabalhavam, a renda média era de 712 reais, valor muito mais baixo que o salário mínimo, à época”, esclareceu.

O subsecretário também lembrou o quão dura é a situação da juventude do RN, principalmente a negra, mas disse que sempre há o espírito de luta e esperança. “Nos quatro cantos da cidade nós encontramos grupos de jovens lutando pra mudar a realidade das suas vidas e da sua comunidade. E é assim que tem que ser. Sabemos que o desafio é grande, mas nós temos a esperança ativa para construir as mudanças de que nossos jovens precisam”, concluiu Gabriel Medeiros.

A coordenadora da juventude do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Érica Rodrigues, embasou seu discurso em torno de três eixos: o da educação, o do extermínio da juventude e o da retirada de direitos.

Já Eloise Bolsiane, representante da Pastoral da Juventude, explicou o papel da instituição na vida dos jovens das periferias potiguares.

“Além de juventude de igreja, somos uma juventude cidadã, que luta pelos seus direitos. Nós fazemos um trabalho de base, tratando das temáticas da juventude em periferias. Mesmo a realidade sendo muito pesada, nós não desistimos e continuamos fazendo nossa parte”, enfatizou Eloise Bolsiane.

O presidente da Associação Potiguar dos Estudantes Secundaristas (APES), Pedro Paulo, alertou para os fatos de que “o Plano Nacional da Educação está ameaçado e o Fundeb vai acabar ano que vem”.

Ele disse ainda que é importante pensar na educação como oportunidade aos jovens de acesso à arte, à cultura e a um futuro melhor.

“Nós sempre iremos lutar por uma sociedade mais justa e igualitária. Não desistiremos dos nossos direitos”, frisou.

Gustavo França, representante da juventude da Central Única dos Trabalhadores do RN (CUT/RN), abordou temas, como educação, direitos trabalhistas e previdência social.

“A gente vive um processo internacional intenso de ataque aos trabalhadores. Querem matar a juventude não apenas com bala na cabeça, mas com ataques aos seus direitos essenciais, como educação de qualidade e previdência, por exemplo”, argumentou. Ele complementou, dizendo que é preciso organizar os jovens, mantê-los em alerta, em luta e colocá-los na agenda das políticas públicas.

Por fim, o deputado Francisco do PT convocou todos os presentes para a audiência que será realizada no próximo dia 30, às 9h, na Assembleia Legislativa, sobre o projeto Future-se, do Ministério da Educação.