Criada em 1962, em Natal, a Campanha da Fraternidade indica, anualmente, um tema para que seja alvo de ações e debates em todo o país — Foto: João Gilberto

A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte discutiu, na tarde desta quinta-feira (21), a viabilização e implementação de políticas públicas no Estado. O foco do debate, proposto pelos deputados Ubaldo Fernandes (PTC) e Francisco do PT, foi a Campanha da Fraternidade. No encontro, deputados, representantes do Poder Público, da Igreja e da sociedade civil discutiram como garantir os direitos da população através das ações dos governantes.

Criada em 1962, em Natal, a Campanha da Fraternidade indica, anualmente, um tema para que seja alvo de ações e debates em todo o país. O tema deste ano, de acordo com a Confederação dos Bispos do Brasil, busca estimular a participação social nas Políticas Públicas, à luz da Palavra de Deus e da Doutrina Social da Igreja, para fortalecer a cidadania e o bem comum. Por isso, o tema “Fraternidade e Políticas Públicas”, com o lema “Serás libertado pelo direito e pela Justiça”.

“O controle social é muito importante nesse momento de transformação pelo qual passa o Brasil”, argumentou o deputado Ubaldo Fernandes. “A igreja tem um papel fundamental na construção de uma sociedade mais justa”, completou Francisco do PT.

Presente ao encontro, o coordenador da Campanha da Fraternidade no Rio Grande do Norte, Padre Robério Camilo, falou sobre a importância do tema da campanha neste ano. Argumentando que o período de Quaresma é importante para que os cristãos façam uma autorreflexão sobre suas atitudes, o padre convidou a população a fazer, também uma avaliação sobre o que chamou de “própria alienação”.

“Entendemos que elas (políticas públicas) são muito importantes porque, além de fortalecer o bem humano, fortalecem a cidadania contribuem para o bem das pessoas, principalmente as que estão em situação de maior vulnerabilidade. É dever do Estado fazer com que essas políticas públicas funcionem. Se não funcionam, temos que questionar o porquê e ajudar os governos a se manterem nos trilhos”, disse o padre, afirmando ainda que é tempo de sair do discurso e partir para a ação. “O agir tem que falar mais alto do que as próprias palavras”, disse.

Também participando da audiência pública, o arcebispo de Natal, Dom Jaime Vieira Rocha, e o vigário geral de Caicó, padre Ivanoff Pereira, falaram sobre a necessidade de engajamento da população na discussão acerca das políticas públicas. Para Dom Jaime, é preciso que as pessoas sejam vigilantes sobre o trabalho dos governantes e que não sejam neutros. No entendimento dele, é preciso buscar os direitos de todos.

“Que Deus nos dê o senso de Justiça, cidadania, equidade e de defesa dos menos favorecidos sempre”, disse o arcebispo.

Com o objetivo de contribuir com as discussões das políticas públicas, o padre Ivanoff Pereira disse que tem buscado levar para dentro da igreja as discussões sobre o andamento das ações dos governantes, convidando os próprios gestores a fazerem a exposição à população de maneira clara e objetiva. Na opinião do vigário geral de Caicó, a Campanha da Fraternidade vai contribuir para que a população saia da inércia.

“Talvez o grande papel da campanha seja fazer com que as pessoas compreendam a magnitude desse tema. Muita gente está pelo Brasil anestesiada. Se discute retirada de direitos e muitas pessoas sequer analisam o que vai mudar, não percebem o buraco em que podem entrar”, disse.

Como representante do Governo do Estado, a secretária de Esportes do RN, Arméli Brennand, garantiu que o tema vai contribuir com a vigilância e cobrança sobre as ações do Poder Público em todos os níveis. Segundo ela, o Executivo está comprometido em fazer ações que beneficiem a população mais necessitada do estado.

“Podemos construir uma sociedade livre, justa com políticas acessíveis aos que precisam, ocupando o lugar do estado, cumprindo os deveres. A governadora Fátima Bezerra reafirma o seu compromisso com o povo do RN para devolver ao estado sua condição de crescimento e desenvolvimento, sem baixarmos a cabeça com essa ou aquela ameaça. O povo potiguar, que pela primeira lançou a Campanha da Fraternidade, será o povo que vai dar as mãos para, nessa campanha, dizer: queremos políticas públicas para todos, com Justiça e dignidade”, disse Arméli Brennand.

Ao fim do debate, os deputados propositores agradeceram pela participação e deixaram os mandatos à disposição para colaborar com o êxito da campanha e o principal objetivo dela.

“Queremos parabenizar a arquidiocese. A campanha nasceu em solo potiguar e, devido à sua importância na promoção do ser humano, a CNBB adotou para p Brasil. Ela vem transformando a sociedade. Que Deus possa nos ajudar a estar cada dia mais em sintonia com a população”, disse Ubaldo. “Fico muito à vontade para debater esse tema, já que minha vida de militância começou nos grupos de base da igreja, sempre buscando a justiça social. Nosso mandato está à disposição e, com certeza, vamos ser vigilantes para que as políticas públicas sejam implementadas em prol da população.

Criada em 1962, em Natal, a Campanha da Fraternidade indica, anualmente, um tema para que seja alvo de ações e debates em todo o país — Foto: João Gilberto