Do Portal Agora RN – O processo de cadastramento e reordenamento do bairro do Alecrim proposto pela Prefeitura do Natal, através das Secretarias Municipais de Meio Ambiente e Urbanismo (SEMURB) e Serviços Urbanos (SEMSUR) tem o intuito de penalizar os comerciantes locais em favor de “forasteiros”. A tese apresentada é de autoria de José de Anchieta Alves, presidente da Associação dos Ambulantes do Alecrim em conversa com a reportagem do Portal Agora RN / Agora Jornal. De acordo com o líder da categoria, há um sentimento de inquietação na classe desde que o poder Executivo começou a tentar aplicar seus projetos.
“Atualmente, estamos com uma expectativa muito desfavorável para nós. Se essa medida for tomada a contento, ninguém sabe o que de fato poderá vir a acontecer com os comerciantes informais do Alecrim. Na nossa categoria, existem muitos pais de família que estão há dias sem conseguir dormir por causa disso, inquietos com toda essa situação. Cabe a nós (e estamos fazendo isso) liderar movimentações em diversos sentidos, promovendo reuniões e nos colocando a disposição até mesmo para fazermos vigília. Vamos para o enfrentamento pacífico no sentido de sensibilizar a Prefeitura do Natal”, contou Anchieta.
Questionado sobre se a PMN já informou para onde irão os primeiros comerciantes afetados pelas obras que ocorrerão entre as ruas Leonel Leite e Amaro Barreto, previstas para iniciarem no próximo dia 7 de outubro, o presidente do Associação disse que não, e aproveitou para fazer o desabafo contra a medida, na sua visão ‘arbitrária’, da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos. “É algo que vem de cima para baixo. Nós ainda não entendemos o real sentido dessa situação, afinal: como eles se dispõem a prejudicar cidadãos natos em detrimento de um comerciante forasteiro, que não sabemos nem que é? Estamos com muitas dúvidas e com um sentimento de inquietação total”, revelou.
Na última quarta-feira, 27, a Semsur convocou os 42 ambulantes que trabalham no trecho referendado anteriormente para uma reunião no Museu de Cultura Popular de Natal. Todavia, nenhum representante da classe informal do comércio do Alecrim compareceu, fazendo com que a Prefeitura tachasse o caso de ‘boicote’. “Convocaram reuniões para impor diversas situações a nossa categoria. Quiseram colocar 42 comerciantes diante de um secretário insensível, dizendo que iriam fazer cadastros mas na verdade queriam impôr condições a nós. Não houve nenhuma decisão de boicote, nós apenas não quisemos ir pelo fato de já sabermos da real utilidade da reunião”, justificou.
Por fim, José de Anchieta disse ser favorável a um processo de reordenamento/reurbanização do bairro do Alecrim, desde que o mesmo tenha efeitos claros e benéficos tanto para a Prefeitura do Natal quanto para os trabalhadores informais da região. “Se for feita em situação ordeira, pacífica e ouvindo todos os lados, seria algo maravilhoso. É importante frisar que nós não somos os causadores do caos, somos apenas a consequência dele. Os comerciantes informais do Alecrim são a favor do reordenamento e da reurbanização do bairro, mas de forma humanitária e não através de remoções. Não dá para impor as coisas em cima da gente. Para isso não ocorrer, basta haver diálogo”, concluiu.