Nossa Senhora da Conceição Aparecida - (Foto: http://auxiliadoracampinas.org.br)
Em 2017, Ano Nacional Mariano, comemoramos os 300 Anos da aparição de Nossa Senhora da Conceição Aparecida e com grande Festa Solene. O nome do Jubileu é: 300 Anos de Bênçãos. O Papa Francisco para homenagear e também recordar da mãe Aparecida, construiu um monumento com a imagem da Santa que está nos jardins do Vaticano.
A seguir artigo publicado por Jair Ortega da Paróquia de Nossa Senhora de Lourdes em São Paulo. Confira:

Há muitos sites que falam sobre a história de Nossa Senhora da Conceição Aparecida e muitos sabem que o nome Aparecida deve-se ao fato de ter “Aparecido” nas redes dos pescadores Domingos Garcia, João Alves e Fililpe Pedrozo, próximo ao Porto de Itaguacú.

Os pescadores rezavam para a Virgem Maria e pediam a ajuda de Deus na pescaria. Já estavam a desistir da pescaria quando João Alves jogou sua rede novamente e, ao invés de peixes, apanhou o corpo de uma imagem da Virgem Maria, sem a cabeça. Ao lançar novamente a rede, apanhou a cabeça da imagem. Após terem recuperado as duas partes da imagem, a figura da Virgem Aparecida teria ficado tão pesada que eles não conseguiam mais movê-la.

A partir daquele momento os três pescadores apanharam tantos peixes que não conseguiam mais mover a rede. Foram forçados a retornar ao porto, uma vez que o volume da pesca ameaçava afundar as embarcações. Esta foi a primeira intercessão atribuída à Santa.

Talvez a parte da história que você não conheça seja a de que provavelmente a imagem encontrada pelos três pescadores tenha sido esculpida aqui perto de nós da cidade de Santana de Parnaíba. No século XVIII, nosso país conheceu a arte de um dos mais importantes artistas brasileiros e o precursor da chamada arte barroca colonial. Tratava-se de Frei Agostinho de Jesus, monge Beneditino, nascido no Rio de Janeiro em 1600.

Sabe-se que a maioria de suas obras fora criada para os mosteiros Beneditinos, especialmente os do Rio de Janeiro e São Paulo. Em São Paulo, Agostinho de Jesus passou boa parte de sua vida na cidade de Santana do Parnaíba, onde havia um mosteiro, hoje desaparecido. Os Mosteiros beneditinos sempre foram grandes propagadores da arte e da cultura.

Seguindo a mesma tendência, os mosteiros de São Bento de São Paulo, Santana do Parnaíba e Sorocaba também deram sua contribuição às artes. Tais mosteiros se concentraram como grandes difusores da escola artística de barro cozido – arte bandeirante. É aqui que Frei Agostinho de Jesus ganha destaque. Sua influência foi grande, chegando aos santeiros populares. Acredita-se que sua obra tenha inspirado o trabalho do mestre do barroco brasileiro, Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.

Ainda hoje, a influência artística de Frei Agostinho de Jesus nos alcança com grande força. Um dos maiores símbolos brasileiros, a imagem milagrosa de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Padroeira do Brasil, situada na Basílica Nacional em Aparecida do Norte, São Paulo, foi confeccionada por este ilustre beneditino.

A catalogação da obra de Agostinho de Jesus se deve a outro ilustre beneditino, Dom Clemente Maria da Silva Nigra. Com maestria incomparável Dom Clemente reuniu toda obra de nosso artista e a partir de pesquisas minuciosas de estilemas e demais técnicas, atribuiu a imagem de Aparecida a Frei Agostinho de Jesus. O monge-escultor Agostinho de Jesus morreu em São Paulo em 1661. No centro de Santana de Parnaíba, no largo São Bento, há um monumento à Frei Agostinho de Jesus, que foi esculpida por outro artista plástico da cidade, Murilo Sá Toledo.

Voltando à história da Padroeira do Brasil: a imagem encontrada pelos pescadores, ficou com Filipe, durante anos, até que presenteou seu filho, o qual usando de amor à Virgem fez um oratório simples, onde passou a se reunir com os familiares e vizinhos, para receber todos os sábados as graças do Senhor por Maria. A fama dos poderes extraordinários de Nossa Senhora foi se espalhando pelas regiões do Brasil.

Por volta de 1734, o Vigário de Guaratinguetá construiu uma Capela no Alto do Morro dos Coqueiros, aberta à visitação pública em 26 de julho de 1745. Mas no número de fiéis aumentava e, em 1834, foi iniciada a construção de uma igreja maior (atual Basílica Velha). No ano de 1894, chegou a Aparecida um grupo de padres e irmãos da Congregação dos Missionários Redentoristas, para trabalhar no atendimento aos romeiros que acorriam aos pés da Virgem Maria para rezar com a Senhora “Aparecida” das águas.

O Papa Pio X em 1904 deu ordem para coroar a imagem de modo solene. No dia 29 de abril de 1908, a igreja recebeu o título de Basílica Menor. Grande acontecimento, e até central para a nossa devoção à Virgem, foi quando em 1929 o Papa Pio XI declarou Nossa Senhora Aparecida Padroeira do Brasil, com estes objetivos: o bem espiritual do povo e o aumento cada vez maior de devotos à Imaculada Mãe de Deus.

Em 1967, completando-se 250 anos da devoção, o Papa Paulo VI ofereceu ao Santuário de Aparecida a Rosa de Ouro, reconhecendo a importância do Santuário e estimulando o culto à Mãe de Deus. Com o passar do tempo, a devoção a Nossa Senhora da Conceição Aparecida foi crescendo e o número de romeiros foi aumentando cada vez mais.

A primeira Basílica tornou-se pequena. Era necessária a construção de outro templo, bem maior, que pudesse acomodar tantos romeiros. Por iniciativa dos missionários Redentoristas e dos Senhores Bispos, teve início, em 11 de novembro de 1955, a construção de outra igreja, a atual Basílica Nova.

Em 1980, ainda em construção, foi consagrada pelo Papa João Paulo ll e recebeu o título de Basílica Menor. Em 1984, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) declarou oficialmente a Basílica de Aparecida Santuário Nacional, sendo o “maior Santuário Mariano do mundo”.