De acordo com pessoas próximas a Matheus, ele ganhava até R$ 100 nas partidas disputadas em Natal (© Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians)

Novo reforço do Corinthians, Matheus chega do ABC credenciado pelos dez gols em dez jogos realizados em 2018. Até o ano passado, porém, não era o futebol de campo que bancava o atacante, hoje com 19 anos.

Potiguar de nascimento, órfão de pai e responsável pelo sustento da família, ele vivia de bichos recebidos em peladas de praia ou society até ser ser levado aos profissionais em 2017, apostando de vez nos gramados convencionais.

“O Matheus não tem base quase, ela foi muito pequena. Ele precisou ganhar dinheiro fora e não treinava todos os dias na base. Ele não jogava muito e nunca teve uma série de treinos.

Ele foi melhorando [a parte física] aos poucos”, explicou Ranielle, que era preparador físico do ABC e hoje é técnico do time.

De acordo com pessoas próximas a Matheus, ele ganhava até R$ 100 nas partidas disputadas em Natal e R$ 300 nas que ocorriam longe de casa. A necessidade, entretanto, afastou Matheus dos torneios da base do ABC e dos treinamentos iniciados no começo de 2017. No ano anterior, por exemplo, o atacante foi campeão estadual no futebol de 7 por um time chamado Real Natal.

A situação mudou depois que Ranielle, juntamente com o técnico Itamar Schülle, decidiu levá-lo ao time profissional nos últimos meses da temporada passada. À época, Matheus já defendia a seleção brasileira de Futebol de 7 e decidiu se dedicar somente ao futebol de campo.

“Eu vi jogando na base contra o América no estadual. Ele entrou e ajudou. Depois desse jogo, na transição de Márcio Fernandes para o Itamar, quando assumi como interino [contra o Villa Nova, na Série B, no fim de agosto], chamei ele completar o time num amistoso. Ele entrou no segundo tempo e fez dois gols. Eu falei: ‘esse menino tem de ficar aqui’. Depois ele ficou direto”, contou o atual treinador do ABC.

Segundo Ranielle, a estabilidade e a presença nos treinos da equipe principal ajudaram Matheus a evoluir fisicamente. Em 2018, por exemplo, o atacante de 1,87m já ganhou dois quilos de massa muscular.”O campo é o habitat dele. Sem nada disso, sem condição física nenhuma o ano passado, só com a técnica, ele se igualava aos outros jogadores. Deixava de igual para igual”, ressaltou o treinador do ABC.

POR FOLHAPRESS