Por g1 RN — Pelo menos cinco pessoas foram presas e 14 mandados de busca e apreensão foram cumpridos no Rio Grande do Norte nesta terça-feira (9) em uma operação contra um grupo criminoso que se passava por chefe de uma empresa para aplicar golpe em uma funcionária.
A operação “Interface” foi comandada pela 3ª Delegacia de Polícia de Canoas, no Rio Grande do Sul, onde fica a empresa vítima do golpe, e cumpriu mandados de prisão, além do RN, no Mato Grosso.
Ao todo, foram expedidos 60 mandados judiciais de busca e apreensão e 27 mandados de prisão para serem cumpridos nos dois estados (MT e RN). Os nomes do presos não foram divulgados.
Os crimes investigados são de estelionato qualificado por fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e organização criminosa. O somatório das penas máximas para esses crimes pode ultrapassar 26 anos de reclusão.
De acordo com a Polícia Civil, os suspeitos criavam perfis falsos de empresários e, a partir disso, conseguiam que pessoas do setor financeiro, subordinadas a esse empresário, fizessem transferências de recursos da empresa.
Os criminosos usavam engenharia social e perfis falsos em aplicativos de mensagens (com nome e foto do presidente da empresa) para induzir funcionários do setor financeiro a realizar transferências urgentes, segundo a polícia.
Os criminosos conseguiram enganar a gerente financeira da empresa.
De acordo com a investigação, no dia 5 de fevereiro de 2025, a gerente financeira da indústria de Canoas recebeu mensagens de um número de telefone que exibia a fotografia do presidente da empresa. Como o executivo encontrava-se em viagem e frequentemente solicitava pagamentos a fornecedores por meio de mensagens, a funcionária não desconfiou.
Assim, ela fez transferências bancárias para contas indicadas pelo suposto diretor. Os valores foram distribuídos entre diferentes destinatários. Somente dois dias depois, ao perceber que os pagamentos eram elevados e haviam sido solicitados em curto espaço de tempo, a funcionária desconfiou da situação. Ao verificar o número utilizado, constatou que não correspondia ao telefone verdadeiro do presidente da empresa.
O golpe causou um prejuízo estimado de R$ 193.601,89 em uma indústria gaúcha.
A Justiça também determinou o bloqueio judicial de dezenas de contas bancárias vinculadas aos suspeitos. De acordo com a polícia, a execução do crime partiu de Cuiabá (MT).
Segundo a polícia, para ocultar o dinheiro do golpe, os criminosos faziam uma espécie de “pulverização financeira”, fragmentando rapidamente os valores em dezenas de contas de bancos digitais em vários estados para evitar o rastreamento e os bloqueios judiciais.
Segunda a polícia, o grupo criminoso possuía funções definidas na execução da fraude, com:
Além das polícias Civil do RS, do RN e do MT, a operação contou com o apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas, do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).


