Campanha contra poliomielite: RN vacinou 17% das crianças até 4 anos; capital imunizou menos de 4% do público alvo

Natal tem Dia D de vacinação contra a poliomielite neste sábado (8) — Foto: Divulgação
Natal tem Dia D de vacinação contra a poliomielite neste sábado (8) — Foto: Divulgação

Por g1 RN — O Rio Grande do Norte vacinou apenas 17,25% das crianças de 1 ano a 4 anos, 11 meses e 29 dias, contra a poliomielite, até a manhã desta segunda-feira (10), segundo dados do sistema do Ministério da Saúde. A campanha tem data prevista para encerramento na próxima sexta-feira (14), com meta de imunizar 95% do público alvo.

Das 167,7 mil doses previstas, pouco mais de 28,9 mil foram aplicadas até agora. A campanha começou no dia 26 de maio.

No caso de Natal, capital do estado, o percentual de cobertura estava ainda menor e a cobertura vacinal não passava de 3,8% do público alvo até 4 anos na manhã desta segunda, segundo o painel do ministério para a Campanha Nacional de Vacinação contra Poliomielite – 2024. Das 36,4 mil doses esperadas, pouco mais de 1,3 mil tinham sido aplicadas.

Os especialistas alertam para o risco de volta da doença, com a baixa imunização da população.

A poliomielite é uma doença causada por vírus que pode infectar crianças e adultos. Em casos graves, atinge o sistema nervoso central e provoca paralisia, principalmente nas pernas – a paralisia infantil. A vacina da gotinha é apontada como única forma de evitar a doença.

Segundo a coordenadora de vigilância em saúde da Secretaria Estadual de Saúde, Diana Rego, os estados estão em negociação para tentar ampliar o prazo da campanha.

Embora baixa, a cobertura do Rio Grande do Norte ainda é a maior entre os estados do país. O segundo melhor colocado no ranking é o Paraná, com 9,68%, segundo os dados do sistema do Ministério da Saúde.

Entre os municípios potiguares, apenas Caiçara do Rio do Vento já alcançou a meta e vacinou 96% do seu público alvo de campanha. O percentual de cobertura do município é o terceiro maior entre todas as cidades do país, segundo o Ministério da Saúde.

“A gente sabe que existe uma negativa das vacinas hoje em dia, outro fator é a não identificação da doença. Os pais atuais são de uma geração que não viu pessoas com paralisia, que não teve acesso a pessoas doentes”, considerou Diana.

Para ela, os municípios que se destacam na cobertura são aqueles que conseguem fazer uma busca ativa pelas crianças e contam com pontos de vacinação acessíveis, perto da moradia do cidadão.

Coordenador do RN Mais Vacina, Fernando Lucas, apontou que pela primeira vez Natal não registrou as vacinas de polio no sistema usado pelo estado, desde 2022. O sistema funciona interligado às bases de dados nacionais, do Ministério da Saúde.

Ainda de acordo com ele, das cerca de 28 mil vacinas aplicadas dentro da campanha no estado, 14 mil foram registradas somente no último sábado (8), dia D da campanha.

Chefe do Núcleo de Agravos Imunopreveníveis (NAI) da Secretaria Municipal de Natal, Veruska Ramos, explicou que a capital diferencia as vacinas de campanha das vacinas aplicadas regularmente e, por isso, a cobertura está com percentuais baixos. Pelo mesmo motivo, o município não usou o RN Mais Vacina.

“Somente no último sábado nós aplicamos mais de 1.757 vacinas de polio. No ano, já foram cerca de 46 mil. Dentro da campanha estão as crianças 1 e 4 anos que estejam com a caderneta em dia e que vão tomar a vacina extra, de reforço. Ao longo da vida, a criança toma 5 doses, sendo 3 doses injetáveis e dois reforços orais”, disse ao g1.

De acordo com ela, no entanto, a maioria das crianças que buscam as unidades de saúde da capital estão com a caderneta atrasada e tomam as doses de rotina, ao invés da dose de reforço. Por isso, os dados não são registrados no sistema da campanha de imunização.

“A gente optou por não usar o RN Mais Vacina, porque dentro da nossa estrutura seria mais complicado ter dois computadores, um aberto no sistema com doses de rotina e outro para doses de campanha. Então a gente faz direto no sistema do governo federal, onde é possível diferenciar”, considerou.