Tragédia no RS: comissão decide sobre diligência no Vale do Taquari

(Da esq. para a dir.) Paim, Eduardo Leite, Mourão e Heinze durante a primeira visita da comissão aconteceu, em 23 de maio Mauricio Tonetto Secom Governo do RS

Por Agência SenadoA comissão temporária externa do Senado que acompanha o enfrentamento da calamidade no Rio Grande do Sul (CTERS) poderá visitar a cidade de Lajeado para conhecer os efeitos das enchentes no Vale do Taquari. Requerimento com este objetivo será votado na reunião do colegiado agendada para terça-feira (11), às 14h, como único item da pauta.

O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), relator da comissão, é o autor do requerimento (REQ 11/2024 — CTERS) que cita a “situação crítica pela qual passa o povo gaúcho em razão das vastas chuvas” e recomenda uma diligência externa “para atestar, in loco, a realidade e as necessidades daqueles brasileiros”.

Mourão é autor do plano de trabalho da CTERS, que contém uma lista de proposições consideradas prioritárias para o enfrentamento da calamidade no estado e prevê uma série de audiências públicas sobre o tema. Os membros da comissão já visitaram o Rio Grande do Sul em 23 de maio, quando ouviram reivindicações do governador Eduardo Leite e conheceram vítimas da tragédia em Canoas e São Leopoldo.

A comissão foi criada por iniciativa do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, para centralizar os pedidos de projetos de lei e emendas constitucionais de interesse do Rio Grande Sul após as enchentes. Instalado em 7 de maio, o colegiado é presidido pelo senador Paulo Paim (PT-RS), tendo os senadores Ireneu Orth (PP-RS) como vice-presidente. Também compõem a comissão os senadores Esperidião Amin (PP-SC), Alessandro Vieira (MDB-SE), Jorge Kajuru (PSB-GO), Leila Barros (PDT-DF) e Astronauta Marcos Pontes (PL-SP).

Calamidade

Alvo de um esforço nacional para reconstrução, o Rio Grande do Sul tem o desafio de reerguer sua infraestrutura com vistas a adaptar-se para novos eventos climáticos extremos. As enchentes atingiram diretamente mais de 2,3 milhões de pessoas no estado, obrigando mais de 600 mil a abandonarem suas casas. Ao mesmo tempo, a infraestrutura do estado foi severamente danificada, com destruição de estradas, pontes e alagamento até do aeroporto internacional de Porto Alegre. A proteção da capital para enchentes de nada adiantou.

Dados da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul apontam que 90% da indústria do estado foi atingida pelas cheias, de proporções inéditas. Ao mesmo tempo, houve perda de grande parte da safra e extensas áreas agricultáveis permanecem alagadas. De acordo com a Associação Riograndense de Empreendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/RS-Ascar), entre 30 de abril a 24 de maio, mais de 206 mil propriedades rurais foram afetadas pelas enchentes, com prejuízos em produção e infraestrutura. Será preciso recuperar mais de 3,2 milhões hectares de terras para cultivo afetadas pelas enchentes.

Os últimos dados da Defesa Civil do Rio Grande do Sul apontam 476 municípios afetados, 172 óbitos confirmados, 44 pessoas desaparecidas e 806 pessoas feridas.