Ataque israelense a escola de Gaza pode ter matado dezenas

Destroços após ataque de Israel a Rafah, na Faixa de Gaza
07/05/2024
REUTERS/Hatem Khaled
© REUTERS/Hatem Khaled

Por Agência Brasil — Israel atingiu, nesta quinta-feira (6), uma escola de Gaza, em um ataque aéreo que, segundo o país, teve como alvo e matou combatentes do Hamas. Uma autoridade do Hamas disse que 40 pessoas, incluindo mulheres e crianças, foram mortas quando se abrigavam na instalação da Organização das Nações Unidas (ONU).

O ataque ocorreu em um momento delicado de negociações mediadas sobre um acordo de cessar-fogo que implica a libertação de reféns capturados pelo Hamas em 7 de outubro e de alguns dos palestinos detidos em prisões israelenses. O Hamas busca o fim permanente da guerra. Israel diz que deve primeiro destruir o grupo islâmico.

O Brasil, os Estados Unidos e outros países divulgaram hoje declaração conjunta, apelando a Israel e ao Hamas para que façam todos os compromissos necessários para fechar um acordo, enquanto os dois lados deram relatos contraditórios sobre o ataque à escola.

Ismail Al-Thawabta, diretor do escritório de mídia do governo do Hamas, rejeitou a afirmação de Israel de que a escola da ONU em Nuseirat, na região central de Gaza, escondia um posto de comando do Hamas.

“A ocupação usa histórias falsas e fabricadas para justificar o crime brutal que realizou contra dezenas de pessoas deslocadas”, afirmou Thawabta à Reuters.

Os militares de Israel disseram que tomaram medidas para proteger os civis, antes de seus caças realizarem “ataque preciso”, divulgando fotos de satélite que destacam duas partes de um prédio onde, segundo eles, os combatentes estavam baseados.

“Estamos muito confiantes na inteligência”, disse o porta-voz militar, tenente-coronel Peter Lerner, aos repórteres, acusando os combatentes do Hamas e da Jihad Islâmica de usar deliberadamente as instalações da ONU como bases operacionais.

Ele afirmou que 20 a 30 combatentes foram localizados no complexo e que muitos deles foram mortos, mas não deu detalhes, pois as avaliações de inteligência estavam sendo realizadas. “Não tenho conhecimento de nenhuma vítima civil e seria muito, muito cauteloso em aceitar qualquer coisa que o Hamas divulgue”, declarou.

A escola, administrada pela agência de refugiados palestinos da ONU (UNRWA), pode ter sido atingida várias vezes, disse a diretora de comunicações da agência, Juliette Touma.

Ela afirmou que não poderia confirmar o número de mortos até o momento. A mídia da Faixa de Gaza, comandada pelo Hamas, já havia estimado o número de mortos em 35 a 40. Thawabta e uma fonte médica disseram que 40 pessoas foram mortas, incluindo 14 crianças e nove mulheres.

Israel anunciou nova campanha militar na região central de Gaza nessa quarta-feira, à medida que luta contra os combatentes que dependem de táticas de insurgência de ataque e fuga. O país afirma que não haverá interrupção dos combates durante as negociações de cessar-fogo, que se intensificaram desde que o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, apresentou uma proposta na sexta-feira.

Desde a trégua de uma semana em novembro, todas as tentativas de organizar um cessar-fogo fracassaram, com cada lado culpando o outro.

“Neste momento decisivo, apelamos aos líderes de Israel, bem como ao Hamas, para que façam todos os compromissos finais necessários para fechar este acordo”, afirmou comunicado divulgado pela Casa Branca juntamente com a Argentina, Áustria, o Brasil, Reino Unido, Canadá e outros.

O diretor da CIA, William Burns, reuniu-se com mediadores do Catar e Egito ontem em Doha para discutir a proposta de cessar-fogo. Duas fontes de segurança egípcias disseram que as negociações continuam hoje, mas não mostram sinais de avanço.

O Hamas, que governa Gaza, precipitou a guerra ao atacar o território israelense em 7 de outubro, matando cerca de 1.200 pessoas e capturando mais de 250 reféns, de acordo com os registros israelenses. Cerca de metade dos reféns foi libertada na trégua de novembro.

O ataque militar de Israel a Gaza matou mais de 36 mil pessoas, segundo autoridades de saúde do território, que afirmam que milhares de mortos estão enterrados sob os escombros.

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