Iniciativas da NBA no Brasil levam basquete para além das quadras

Logos das finais da NBA antes da decisão do campeonato de 2023
31/05/2023 Kyle Terada-USA TODAY Sports
© Reuters/Kyle Terada-USA TODAY Sports/Direitos reservados

Por Agência Brasil — Desde que se estabeleceu em território brasileiro com um escritório no Rio de Janeiro há doze anos, a National Basketball Association (NBA) tem expandido de forma contínua sua base de fãs no Brasil, o que permitiu que a maior liga de basquete do planeta passasse a realizar investimentos que têm ido muito além das transmissões de jogos.

De acordo com dados de pesquisa do Ibope Repucom do ano passado, são quase 53 milhões de pessoas em todo o país que se declaram fãs da NBA, um número que foi atingido por conta do esforço global da organização em levar o basquete norte-americano para o maior número de espectadores possível.

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Mas uma vez que não é mais um problema encontrar uma mídia para assistir a partidas da liga no Brasil – já disponíveis na TV aberta, na TV fechada e em plataformas de streaming – a NBA tem promovido uma série de iniciativas para expandir sua marca em outras áreas, desde lojas físicas no país até sua maior ativação em todo o mundo, a NBA House, que será aberta ao público durante as finais do campeonato entre 6 e 23 de junho.

A liga espera que até 45 mil pessoas passem pela instalação montada em São Paulo nas próximas semanas, seja para assistir às partidas das finais ou para aproveitar as dezenas de atrações montadas pela organização e seus parceiros comerciais, que incluem XP e ESPN, da Walt Disney.

“Os jogos são finitos. Você não consegue expandir. O que estamos focando muito agora é no conteúdo além da quadra. É poder cada vez mais explorar outras narrativas dentro do basquete”, disse Arnon de Mello, vice-presidente e diretor da NBA na América Latina, em entrevista à Reuters.

“Os jogos são finitos. Você não consegue expandir. O que estamos focando muito agora é no conteúdo além da quadra. É poder cada vez mais explorar outras narrativas dentro do basquete”, disse Arnon de Mello, vice-presidente e diretor da NBA na América Latina, em entrevista à Reuters.

O sucesso da marca norte-americana no Brasil, segundo ele, tem se dado muito pelo fato de que o horário dos jogos nos Estados Unidos não impedem o acompanhamento em tempo real. O fuso horário é um verdadeiro obstáculo em outros mercados da liga, como Europa e Ásia, com os fãs optando muitas vezes por assistirem aos reprises das partidas ou vídeos curtos nas redes sociais.

A ausência do obstáculo do fuso horário permitiu que a liga ampliasse de forma exponencial as transmissões de partidas no Brasil na última década. A missão recentemente declarada é fazer com que a marca esteja presente na vida dos brasileiros até mesmo quando as atenções não estão nas quadras.

“Um pilar nosso é ativar a marca, estar presente. Levar a marca para o maior número de pessoas possíveis. Uma partida da NBA vai muito além da quadra e do jogo em si… Tem uma infinidade de coisas que a gente pode fazer que não seja efetivamente a transmissão do jogo”, afirmou Mello. “No Brasil, nós focamos no ‘lifestyle’. Tudo que a NBA representa além do basquete, a intersecção do basquete com a cultura, a música e a moda.”

“Um pilar nosso é ativar a marca, estar presente. Levar a marca para o maior número de pessoas possíveis. Uma partida da NBA vai muito além da quadra e do jogo em si… Tem uma infinidade de coisas que a gente pode fazer que não seja efetivamente a transmissão do jogo”, afirmou Mello. “No Brasil, nós focamos no ‘lifestyle’. Tudo que a NBA representa além do basquete, a intersecção do basquete com a cultura, a música e a moda.”

O foco na difusão da marca foi responsável pela abertura de 32 lojas físicas no Brasil apenas nos últimos oito anos, além de uma loja online, onde fãs podem adquirir produtos físicos das franquias da liga.

A organização também ampliou sua presença nas redes sociais, com perfis em plataformas digitais especificamente voltados ao público brasileiro com conteúdo em português, atingindo mais de 5 milhões de usuários.

Nesse contexto, surgiu também a ideia da NBA House em 2016, um empreendimento que se “provou capaz” de atingir até mais pessoas do que caso houvesse um jogo da liga no Brasil, o que a organização não tem planos de realizar tão cedo.

Entre 2013 e 2015, a NBA chegou a realizar três jogos de pré-temporada no Brasil. Segundo Mello, a falta de arenas com infraestrutura para que se pudesse refletir a “mesma experiência” dos fãs norte-americanos levou a liga a optar por não promover outras partidas e focar em iniciativas para além das quadras.

“A gente se considera muito mais uma empresa de conteúdo, de mídia e entretenimento do que uma liga esportiva. Porque a gente não tem a liga esportiva no Brasil, mas a marca acontece.”

“A gente se considera muito mais uma empresa de conteúdo, de mídia e entretenimento do que uma liga esportiva. Porque a gente não tem a liga esportiva no Brasil, mas a marca acontece.”

Ele diz esperar que nos próximos a NBA possa levar o sucesso no país para um vizinho sul-americano também ávido pelo basquete.

“A Argentina é um país que ama o basquete, que tem muitos astros do basquete. Eu gostaria que a marca tivesse lá uma presença maior do que tem hoje. Esse talvez seja o ponto que seria nosso foco nos próximos dez anos aqui na região.”

“A Argentina é um país que ama o basquete, que tem muitos astros do basquete. Eu gostaria que a marca tivesse lá uma presença maior do que tem hoje. Esse talvez seja o ponto que seria nosso foco nos próximos dez anos aqui na região.”

Na entrevista, Mello destacou que para além de difundir a marca da NBA no Brasil, e em toda a América Latina, um outro fundamento essencial promovido pela liga é o de levar a prática do basquete desde cedo para as crianças.

“A gente precisa de fundamentas muito sólidos. Esses fundamentos vêm primeiro na base de fãs, mas mais do que isso na base de jogadores.”

“A gente precisa de fundamentas muito sólidos. Esses fundamentos vêm primeiro na base de fãs, mas mais do que isso na base de jogadores.”

Segundo dados da liga, a NBA já possui mais de 200 escolas de basquete no país, com mais de 12 mil participantes, voltadas tanto para a possível criação de novos atletas como pela inclusão do esporte no início da vida.

“Se uma criança começa a jogar o basquete em uma idade muito jovem, ela vai acompanhar esse esporte pela vida inteira. Então, o nosso grande investimento, e talvez o mais barato, é colocar a bola na mão das crianças. Tudo começa com a prática do basquete.”

“Se uma criança começa a jogar o basquete em uma idade muito jovem, ela vai acompanhar esse esporte pela vida inteira. Então, o nosso grande investimento, e talvez o mais barato, é colocar a bola na mão das crianças. Tudo começa com a prática do basquete.”

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