Ilha de Gardi Sugdub, no Caribe, está prestes a ficar submersa

A drone view shows the Gardi Sugdub island as families from the Guna indigenous group begin their exodus from the small island as rising sea waters advance on homes, in Panama, June 3, 2024 in this handout image. Presidencia de Panama/Handout via REUTERS ATTENTION EDITORS - THIS IMAGE HAS BEEN SUPPLIED BY A THIRD PARTY. NO RESALES. NO ARCHIVES
© Presidência do Panamá/Reuters

Por Agência Brasil — Cerca de três centenas de famílias residentes em Gardi Sugdub, no Caribe, estão estão sendo realojadas no continente devido à subida do nível do mar. A pequena ilha é a primeira área do Panamá a ser abandonada devido às alterações climáticas.

“Estamos um pouco tristes, porque vamos deixar para trás as casas que conhecemos durante toda a vida, a relação com o mar, onde pescamos, onde tomamos banho e para onde vêm os turistas. O mar está a afundar a ilha aos poucos”, explica Nadín Morales, de 24 anos. Ela se prepara para ser transferida junto com a mãe, o tio e o namorado.

É um dos muitos relatos dos moradores da ilha de Gardi Sugdub, que está sendo engolida pelo mar. Gardi Sugdub (ou Carti Sugtupu) é uma das 50 ilhas povoadas do arquipélago San Blas, na província de Guna Yala. Tem cerca de 400 metros de comprimento e 150 metros de largura. Vista de cima, tem forma oval delimitada por dezenas de pequenos portos onde os moradores amarram seus barcos.

Nos últimos anos, as tempestades têm provocado grandes cheias que tendem a piorar com a subida do nível da água do mar. Por sua vez, a temperatura aquece o oceano e alimenta o fenômeno climático El Niño.

A população indígena – os gunas – ainda tentam reforçar o perímetro da ilha com pedras e estacas, mas a água do mar não foi contida.

Cerca de 300 famílias indígenas estão, nesta semana, empacotando seus pertences, preparando-se para uma mudança dramática. Gerações de gunas, que cresceram em Gardi Sugdub, estão prestes a trocar uma vida dedicada ao mar e ao turismo por terra firme do continente.

Evelio López, um professor de 61 anos que vive no local, afirmou que sair da ilha é um grande desafio, porque mais de 200 anos da cultura do seu povo vêm do mar”. Diz-se apreensivo por ter de “abandonar o mar, as atividades econômicas que tinha na ilha”.

“E agora passarmos para terra firme, na floresta. Vamos ver qual será o resultado em longo prazo”.

Há 20 anos que o governo autônomo dos Guna já tinha abordado a questão de deixar a ilha. Se o primeiro motivo se prendia à falta de espaço, rapidamente os efeitos das alterações climáticas aceleraram a decisão.

O governo do Panamá desenvolveu, ao custo de 11 milhões de euros, novas habitações para receber a população de Gardi Sugdub. As casas de concreto, organizadas como uma grade de ruas pavimentadas, localizam-se na exuberante floresta tropical, a pouco mais de 2 quilômetros do porto. A viagem de barco demora oito minutos entre a ilha e a nova urbanização.

Steven Paton, diretor do programa de monitoramento do Smithsonian Institution no Panamá, argumentou que a necessidade de retirar as pessoas de Gardi Sugdub “é consequência direta das alterações climáticas devido ao aumento do nível do mar”.

“As ilhas estão, em média, apenas meio metro acima do nível do mar e, à medida que esse nível aumenta, mais cedo ou mais tarde, os Gunas terão de abandonar todas as ilhas, quase certamente até o final do século ou antes”, alerta.

Paton deixa claro que não serão atingidas apenas essas ilhas: “todas as costas do mundo estão sendo afetadas, embora em velocidades diferentes”.

Pesquisa recente, feita pela Direção de Alterações Climáticas do Ministério do Ambiente do Panamá, com o apoio de universidades panamenhas e espanholas, estima que o país perderá cerca de 2,01% do território costeiro devido à subida do nível do mar, até 2050.

O Panamá avalia que o realojamento dos cerca de 38 mil habitantes nas zonas costeiras afetadas custará cerca de 1,10 bilhão de euros, informou Ligia Castro, diretora de alterações climáticas do Ministério do Ambiente.

Apesar das pressões climáticas, alguns moradores optaram por permanecer em Gardi Sugdub até que as circunstâncias se tornem insustentáveis. O Ministério da Habitação do Panamá lembra que ninguém é obrigado a sair contra a sua vontade.

*É proibida a reprodução deste conteúdo.