Ex-ministro e candidato do PL ao Senado critica ativismo judicial e defende mudança para “colocar os pingos nos is” — Foto: Reprodução

Por Agora RN — O candidato do PL ao Senado, Rogério Marinho, defendeu nesta terça-feira 2 um “reposicionamento constitucional” para enfrentar o que ele classifica como ativismo judicial. Em entrevista à rádio Difusora FM, de Mossoró, o candidato criticou ações do Judiciário, sem citar exemplos, e propôs mudanças, também sem detalhar, para que cada poder da República “fique na sua caixinha”.

“Qual é a posição dos candidatos ao Senado na questão do desequilíbrio claro que está acontecendo entre os poderes? Proponho um reposicionamento constitucional para que cada um fique na sua caixinha. Eu estou preocupado com o País. Estamos vendo um ativismo enorme do Judiciário e estamos vendo um enfrentamento absolutamente desnecessário para o Brasil”, afirmou Rogério, sem explicar que mudança na Constituição ele defende.

O ex-ministro do Desenvolvimento Regional criticou posicionamentos de magistrados. “Você vê o Judiciário se posicionando politicamente, dando palestras. E todo mundo acha isso normal? O que os outros candidatos a senadores pensam a respeito desse assunto? É importante que cada um fique na sua caixinha”, destacou, referindo-se aos representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

“O Judiciário está tendo um ativismo que não cabe, que a Constituição não comporta, que desequilibra o processo político e atinge diretamente a democracia brasileira. Se nós somos, de verdade, cultores e defensores do processo democrático, nós temos a responsabilidade, principalmente no Senado, de colocar os pingos nos is. Eu tenho a maior
saudade do mundo tempo em que os juízes falavam nos autos”, destacou.

Rogério complementou: “O juiz é um ser humano como qualquer outro. Ele tem as suas opiniões, paixões, preferências. Normal. Ele é um ser humano. Ele não deve exteriorizar suas paixões nem as suas posições pessoais sob pena e risco de desequilibrar a p* da balança do Judiciário. É o que exprime a imparcialidade do Judiciário. A gente tem que ter
essa preocupação”.

BOLSONARO CRITIA MINISTROS DO STF

A fala de Rogério Marinho se assemelha ao discurso crítico do presidente Jair Bolsonaro (PL) contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Nesta terça, em entrevista a uma rádio do Rio Grande do Sul, o presidente voltou a atacar os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso.

Segundo Bolsonaro, Barroso atuou “pessoalmente” para derrubar o projeto bolsonarista do voto impresso no Congresso.

“No ano passado, o Congresso iria aprovar a PEC do Voto Impresso. O que o Barroso fez? Era presidente do TSE. Foi dentro do Parlamento e tentou fazer escondido dentro do Parlamento, se reuniu com líderes e, no dia seguinte, trocaram vários integrantes das comissões de modo que votaram contra a PEC do Voto Imprenso. No plenário, nós não conseguimos 308 votos e nós perdemos. Então, uma interferência direta do Barroso dentro do Congresso para não aprovar o voto impresso, o que é crime previsto na Constituição. O Barroso é um criminoso. E depois ele vai para os Estados Unidos dar palestra sobre como tirar um presidente, vai para o Reino Unido e fala lá que a gente queria ressuscitar o voto impresso como antigamente. Barroso, tu é um mentiroso”, disse Bolsonaro.

O presidente também criticou Alexandre de Moraes por causa das investigações sob seu comando e que incluem Bolsonaro e aliados. “A questão do Ministério Público, os inquéritos do Alexandre de Moraes são completamente imorais, ilegais. É uma perseguição implacável por parte dele. A gente sabe o lado dele”, disse o presidente.

Bolsonaro criticou, ainda, uma suposta ação do ministro com o objetivo de, segundo ele, “jogar a rede, puxar a rede, ver o que tem nela e acusar a pessoa”.

O presidente afirmou que o sigilo de um de seus ajudantes foi quebrado por ordem do Supremo. Ele não mencionou o nome do funcionário.