Ricardo Valentim, membro do comitê científico do Rio Grande do Norte — Foto: Reprodução/Inter TV Cabugi

Por G1 RN — O comitê científico do Rio Grande do Norte não recomendou “lockdown” entre as medidas que são avaliadas pelo governo para tentar reduzir a transmissibilidade da Covid-19 no estado. A afirmação é do coordenador do Laboratório de Inovação em Saúde da UFRN e membro do comitê, Ricardo Valentim.

Novas medidas restritivas devem ser anunciadas pelo governo estadual nesta sexta-feira (5). Entre elas, o aumento do horário de vigência do toque de recolher, que atualmente é das 22h às 5h. Em documento divulgado nesta semana, um relatório de pesquisadores do laboratório também sugeriu aumento da frota de ônibus para evitar aglomerações no transporte público.

Em entrevista ao Bom Dia RN, da Inter TV Cabugi, Ricardo não adiantou as medidas recomendadas pelo comitê científico ao governo do estado, mas descartou a possibilidade de “lockdown”.

O termo inglês significa confinamento ou fechamento total. Na prática, funcionaria como a proibição de circulação de pessoas nas ruas e funcionamento apenas de atividades essenciais como saúde e alimentação.

“Não há recomendação de lockdown. Isso nunca aconteceu no Brasil. Ele é muito mais rigoroso, como a gente viu agora em Portugal. O que Ceará, Pernambuco, São Paulo estão fazendo são medidas mais restritivas. Em nenhum momento nós observamos isso (lockdown) no país. É consenso que seria preciso ter uma organização social maior, como na Europa, que teve 3 trilhões de euros só para amparar empresas e pessoas com risco de perder seu emprego. Somos um país culturalmente diferente e com mais desigualdades”, afirmou.

O pesquisador afirmou que o estado ainda terá 15 dias “duros”, com alta demanda por leitos e pedidos de internações. Somente nesta quinta-feira (4), o estado registrou mais de 120 pedidos de internação.

“Mas acredito que as medidas que estão sendo colocadas, as recomendações que foram feitas, poderão ter um efeito positivo se forem acatadas pelo governo e se tiver colaboração de todos, dos gestores municipais e estaduais”, afirmou.