De acordo com a empresa, a decisão é parte da reestruturação global e no mercado da América do Sul. — Foto: FORD/Divulgação

Por Alessandro Reis, UOL — A Ford anunciou o encerramento da produção de veículos no Brasil, com o fechamento das fábricas que a montadora mantém em Camaçari (BA), Taubaté (SP) e Horizonte (CE), onde é fabricado o utilitário 4×4 T4, da Troller.

Segundo a companhia, as atividades das três linhas de produção serão encerradas este ano, “à medida em que a pandemia de Covid-19 amplia a persistente capacidade ociosa da indústria e a redução das vendas, resultando em anos de perdas significativas”.

A Ford disse que produção de peças continuará por um certo tempo para garantir estoque de componentes para reposição, e os quatro modelos que eram fabricados no país – Ka, Ka Sedan, EcoSport e T4 continuarão à venda enquanto houver estoque. Assim, a operação brasileira da empresa ficará restrita à importação de modelos.

A montadora confirma que manterá a oferta da Ranger, com fabricação na Argentina, e lançará aqui a nova geração da picape, também produzida no país vizinho. Ainda trará para cá a nova geração do Transit, bem como outros lançamentos.

Na Argentina e no Uruguai as operações continuarão, assim como permanecem em operação no Brasil o Centro de Desenvolvimento de Produto, na Bahia, o Campo de Provas, em Tatuí (SP), além da sede regional em São Paulo.

A marca, que já esteve entre quatro maiores do país em volume de vendas, já havia fechado a unidade de São Bernardo do Campo (SP) em 2019.

De acordo com a empresa, a decisão é parte da reestruturação global e no mercado da América do Sul.

“A Ford está presente há mais de um século na América do Sul e no Brasil e sabemos que essas são ações muito difíceis, mas necessárias, para a criação de um negócio saudável e sustentável. Estamos mudando para um modelo de negócios ágil e enxuto ao encerrar a produção no Brasil, atendendo nossos consumidores com alguns dos produtos mais empolgantes do nosso portfólio global”, disse Jim Farley, presidente e CEO da Ford.

A empresa informa que serão impactados 5.000 colaboradores no Brasil e na Argentina. A fabricante não disse a quantidade de trabalhadores impactados por unidade.

“A companhia está definindo os planos de indenização e, nos casos em que se aplicar, ela será definida como parte do processo de negociação com os respectivos sindicatos”, afirma em nota.

Ainda segundo a companhia, ela irá “trabalhar imediatamente em estreita colaboração com os sindicatos e outros parceiros no desenvolvimento de um plano justo e equilibrado para minimizar os impactos do encerramento da produção”.

A partir de agora, a Ford oferecerá somente produtos importados “de alto valor agregado”, “conectados” e “cada vez mais eletrificados”, diz o comunicado.

A montadora justifica afirma que a decisão de não mais fabricar automóveis no Brasil faz parte do plano de focar  em produtos lucrativos e ter uma margem corporativa EBIT de 8%, com o objetivo de gerar “fluxo sustentável de caixa”.

“Nosso time da América do Sul fez progressos significativos na transformação das nossas operações, incluindo a descontinuidade de produtos não lucrativos e a saída do segmento de caminhões. Esses esforços melhoraram os resultados nos últimos quatro trimestres, entretanto a continuidade do ambiente econômico desfavorável e a pressão adicional causada pela pandemia deixaram claro que era necessário muito mais para criar um futuro sustentável e lucrativo”, diz Lyle Watters, presidente da Ford América do Sul.