Luana Rangel Pimenta disse que a sogra costumava afirmar que recebia mensagens divinas sobre a morte do marido — Foto: Reprodução

Por O Dia — Luana Rangel Pimenta, esposa de Mizael, um dos filhos da deputada federal Flordelis, reforçou durante audiência nesta sexta-feira que a parlamentar planejou pelo menos duas outras vezes o assassinato do marido. O pastor Anderson do Carmo foi assassinado no dia 16 de junho do ano passado.

Flordelis (PSD) chegou pontualmente às 9h na audiência desta sexta-feira, na 3° Vara Criminal de Niterói, em mais uma etapa do processo que a acusa de ser a mandante do assassinato do marido, o pastor Anderson do Carmo, no ano passado. Na audiência anterior, a deputada chegou 45 minutos atrasada e recebeu uma advertência do juiz.

Durante a audiência, Luana afirmou que, em uma conversa entre 2017 e 2018, Flordelis costumava dizer que recebia mensagens divinas de que “o pastor ia morrer porque estava atrapalhando a obra de Deus”. A nora de Flordelis reforçou também a versão de que ela teria tentado matar o pastor via envenenamento, colocando substâncias em sucos.

“Um dia, eu e uns filhos fomos a um cinema na Barra. O Carlos (um dos filhos) disse: ‘não toma nada que a Flor der para o Niel (apelido de Anderson). A Cris (outra filha) tomou um suco de laranja e ficou cinco dias internada’. Vi várias vezes ela colocando pozinho no suco do pastor. No último ano de vida, ele passava muito mal. Fazia reuniões com uma lixeira em cima da mesa para poder vomitar. Ela dizia que era para a ansiedade, fazia isso porque ele não queria tomar”, disse Luana.

Durante as respostas de Luana, Flordelis permanecia olhando para baixo, discordando com a cabeça das versões da nora. Simone, filha da deputada e uma das acusadas, também fazia sinais de discordância. Adriano, filho biológico de Flordelis e também acusado, era o mais inquieto.

Nora diz que choro no dia da morte foi disfarce

Durante a audiência, a nora de Flordelis afirmou que a deputada fingiu o choro ao chegar no hospital para onde Anderson foi levado, após os tiros. “No hospital, ficamos atordoados. Eu fui dar assistência a Flor e vi que ela não estava chorando de verdade. Eu conheço quando ela está. Ela dizia: ‘diz para mim que meu marido está vivo’. Os choros no enterro foram todos de mentira. Se choraram, foi de remorso”.

Celular quebrado e jogado no mar

Luana Rangel Pimenta reafirmou à juíza a versão de que Flordelis ordenou que o celular de Anderson do Carmo fosse quebrado e lançado ao mar. Segundo a nora, durante um encontro na casa, após o assassinato, Flordelis, desconfiada das escutas colocadas pela investigação na residência, escreveu em um papel para os filhos: ‘ainda bem que nós quebramos o celular do Niel e jogamos no mar’.