Após a confusão, a Polícia Militar do DF foi chamada. O caso é investigado pela 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia Norte) — Foto: MICHAEL MELO/METRÓPOLES

Por Metrópoles — A Justiça do Distrito Federal converteu em preventiva a prisão em flagrante de um pai de santo que atacou um homem no Centro de Umbanda Mãe Ganga, na QR 425, em Samambaia. O crime aconteceu no domingo (22/11), e a audiência de custódia do preso foi realizada nessa terça-feira (24/11).

O autor foi preso pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). Segundo depoimentos de testemunhas, o pai de santo estava sob influência de entidade conhecida como Pombagira Sete Rosas.

Pombagira é um entidade do candomblé e da umbanda, representada por uma mulher. Durante as sessões religiosas, ela faz a possessão dos líderes espirituais, chamados pais de santo.

De acordo com os investigadores do caso, uma semana antes do crime, em uma sessão religiosa, a entidade teria informado a uma das frequentadoras que havia um “trabalho” contra ela.

A entidade pediu para que ela voltasse na semana seguinte a fim de revelar a identidade de quem havia feito o trabalho. Seguindo a orientação da Pombagira, a mulher retornou ao centro nesse domingo (22/11), e a entidade, então, apontou um homem como o responsável. Ele negou e exigiu provas.

Ainda de acordo com os relatos, o pai de santo teria se irritado, jogado a taça de cerveja fora e sacado um punhal. O golpe acertou o pescoço o homem. A vítima só não ficou ferida gravemente, porque a irmã dela teria impedido que o pai de santo enfiasse completamente a lâmina no corpo da vítima.

Após a confusão, a Polícia Militar do DF foi chamada. O caso é investigado pela 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia Norte).

“Ser de luz”

A Federação de Umbanda e Candomblé de Brasília e Entorno aguarda a definição das autoridades e o aconselhamento de sua assessoria jurídica para tomar medidas em relação ao episódio, o que não a impede de se colocar contra aos fatos, observando aquilo que prega a religião.

“Repudiamos totalmente qualquer tipo de violência”, afirmou o presidente da entidade, Rafael Moreira, ao Metrópoles. Evitando posicionar-se em favor ou contra as partes envolvidas, ele esclareceu estar “esperando a análise dos fatos para nos posicionarmos, mas nada justifica a agressão”. “Entidade é ser de luz, entidade não agride ninguém”, explicou Rafael.

Por fim, o representante defendeu a atuação da instituição, não descartando qualquer tipo de providência. “O objetivo da federação é abrir terreiros, não fechar”. Ele ressaltou que, em casos desse tipo, “o sacerdote é punido”. “A umbanda e o candomblé são para as pessoas se sentirem bem e encontrarem a solução para seus problemas”, frisou o religioso.