Nicole é suspeita de matar o namorado, Adailton, com uma agulha de narguilé — Foto: Arquivo pessoal

Por Sílvio Túlio, G1 GO — O delegado Eduardo Rodovalho confirmou nesta terça-feira (22) que uma única e pequena perfuração no peito foi a causa da morte de Adailton Gomes, de 24 anos, em Aparecida de Goiânia, Região Metropolitana da capital. A polícia suspeita que a namorada dele, Nicole Maria, de 19, tenha causado o óbito ao feri-lo com uma agulha de narguilé, durante uma discussão por causa de um pastel de feira.

“A lesão foi única, certeira e fatal. Ele agonizou por pouco tempo e depois já veio a óbito”, disse o delegado.
Nicole se apresentou espontaneamente e sozinha à polícia na segunda-feira (21), alegou legítima defesa e foi liberada. Desde esse dia, o G1 tenta contato com ela, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. O delegado informou que ela ainda não apresentou advogado de defesa.

Adailton foi morto na sexta-feira (18), na casa da namorada, no Setor Village Garavelo. A agulha que teria sido usada no crime serve para furar o papel alumínio que encobre o carvão e, assim, permite a liberação de calor para aquecer a essência do narguilé.

De acordo com Rodovalho, inicialmente, chegou-se a pensar que o rapaz teria tido uma morte natural devido ao ínfimo tamanho do ferimento.

“Como a perfuração no local da lesão era muito pequena, houve uma dúvida inicial sobre qual seria a causa da morte. Mas já há a confirmação de que de fato foi um objeto perfurocortante que penetrou o mamilo esquerdo da vítima e atingiu a base do coração”, destaca.

Relação ‘tumultuada’

O delegado afirmou ainda que o casal tinha uma relação “tumultuada”, permeada por brigas e discussões e que tal fato se comprova pelo motivo da discussão que acabou ocasionando a morte.

“O casal vivia uma relação tumultuada. Eram muito impetuosos. Tinha histórico de briga constante. Essa situação começou por um motivo banal, uma questão de divergência de alimentação em um passeio que eles fizeram na feira e resultou nesse trágico final”, pondera.

A priori, o responsável pelo caso não vê requisitos legais para pedir a prisão da jovem e ainda estuda por qual crime ela deve responder.

“Estamos levantando as informações. Ela se apresentou espontaneamente e deu todas os dados de sua versão. Vamos trazer novos elementos para ver se há, realmente, a presença de requisitos autorizadores para poder pedir a prisão. Mas, até o momento, não há esses elementos”, avalia.

Família pede justiça

A mãe da vítima, Maria das Graças de Abreu, 46 anos, disse ao G1 que o casal passava a maior parte do dia na casa dela, também em Aparecida de Goiânia. A mulher disse que o filho havia ido na manhã do ocorrido à feira com a namorada e as duas irmãs. Após isso, ela conta que Adailton voltou à casa da namorada para buscar a chave da moto que teria esquecido.

“Depois que chegaram da feira, ele foi com as irmãs, de 13 e 16 anos, na casa dela. As meninas ficaram na calçada enquanto ele entrou para pegar a chave. Elas contaram que, depois, a namorada dele saiu correndo gritando que ele estava morrendo, entrou em um carro e saiu”, disse a mãe de Adailton.

Maria pede que a justiça seja feita. Ela disse ainda que, após o acontecimento, a namorada do filho se mudou do local em que morava e não entrou mais em contato com a família.

“Ela se mudou enquanto eu velava meu filho. Quero justiça. Ela tirou um pedaço de mim. Não podia”, disse a mãe do jovem.