Vítima de 22 anos teve o corpo queimado com gasolina — Foto: Carlos Dias/G1

Por Carlos Dias, G1 Sorocaba e Jundiaí — A Justiça renovou por mais 30 dias as prisões do pai de santo e da esposa, dona de uma pensão para trans e travestis em Sorocaba (SP), detidos pela morte da trans Vick Santos, de 22 anos. Durante a reconstituição, o homem deu detalhes sobre o assassinato da vítima, em Itu (SP).

Douglas José Gonçalves confessou o crime e a esposa dele, Natasha Oliveira, também permanece presa depois que a Justiça também negou o habeas corpus pedido pela defesa.

A reconstituição do assassinato foi feita em dois lugares. O primeiro foi em uma chácara, na zona norte de Sorocaba, onde também funcionava um terreiro. Douglas afirmou que a matou no local durante uma briga.

Ele alegou à polícia que, na ocasião, se deparou com a trans na porta da chácara do casal e Vick teria o ameaçado. Uma desavença por dívidas teria sido a causa da discussão.

Douglas contou que conseguiu enrolar um lençol no pescoço de Vick com uma técnica de artes marciais. Horas depois, foi até uma pousada onde estava Natasha e contou sobre a versão.

Segundo apurado pelo G1, Natasha mantinha uma pensão e é suspeita de gerenciar mulheres trans e travestis em um bairro nobre, onde Vick também foi moradora.

O crime

Conforme o relato de Douglas, o corpo da trans foi colocado no carro e deixado na área rural de Itu. Em seguida, foi ateado fogo com a intenção de despistar a investigação.

Rodeado de policiais e peritos, Douglas abriu o porta-malas e usou uma garrafa e um papel para simular a sequência do assassinato. Em determinado momento, ele revelou que os dois passaram em um posto de combustíveis e que usou gasolina e uma nota de R$ 2 para atear fogo ao corpo.

A vítima foi encontrada carbonizada no dia 28 de maio, em uma estada. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou que a vítima também foi estrangulada.

Ao G1 o advogado do casal afirmou que em relação ao Douglas trata-se de legítima defesa ou homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

Sobre Natasha, o advogado Michel Borges Michelini sustenta que ela não participou do homicídio. O carro usado no crime foi apreendido e passou por perícia para identificar a existência de sangue. O caso corre sob sigilo.