Secretaria de Saúde tem protocolo para uso de hidroxicloroquina em pacientes graves — Foto: Quézia Oliveira/Inter TV Cabugi

Por G1 RN — O Rio Grande do Norte ainda não tomou uma decisão se vai recomendar o uso de cloroquina ou hidroxicloroquina no tratamento de pacientes leves e em estado inicial da Covid-19 – causada pelo novo coronavírus. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde Pública, a medida está sendo analisada pelo setor de Atenção Primária à Saúde.

De acordo com a pasta, o estado já vinha seguindo o protocolo encaminhado pelo Ministério da Saúde para o uso de cloroquina e hidroxicloroquina no tratamento de pacientes com a Covid-19 em situação grave e crítica, “com quadro que envolva situações como infiltração pulmonar, falência respiratória, choque séptico e/ou disfunção de múltiplos órgãos”.

A Nota Técnica n°6/2020, emitida pela Sesap no dia 4 de abril, orienta os 11 hospitais públicos estaduais destacados no Plano de Contingência como unidades de referência no enfrentamento à pandemia – como o Hospital Giselda Trigueiro – sobre o uso nesses casos graves.

Por enquanto, de acordo com a secretaria, esse é o protocolo que continua sendo usado no estado. Na quarta-feira (20), o secretário ajunto de Saúde do estado, Petrônio Spinelli, defendeu que a decisão sobre o uso do medicamento seja estritamente técnica.

“Criar ilusão na sociedade de que qualquer medicação é cura, que possa substituir o isolamento social, é apostar no crescimento da pandemia e no colapso do sistema. A discussão é técnica, é atitude médica, e deve se restringir a isso”, declarou.

O presidente Jair Bolsonaro defende o uso da cloroquina no tratamento da doença causada pelo novo coronavírus. Mas não há comprovação científica de que esse remédio seja capaz de curar a Covid-19. Estudos internacionais não encontraram eficácia no medicamento, e a Sociedade Brasileira de Infectologia não recomenda a utilização. O protocolo da cloroquina foi motivo de atrito entre Bolsonaro e os últimos dois ministros da Saúde, Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich. No intervalo de menos de um mês, os dois deixaram o governo.