Paciente segue internado no Hospital Giselda Trigueiro, referência em doenças infectocontagiosas — Foto: Quézia Oliveira/Inter TV Cabugi

Por Bruno Vital, G1 RN — A Polícia Civil vai investigar a versão do paciente internado no Hospital Giselda Trigueiro sobre o contato dele com chineses que levantou a suspeita de possível caso de coronavírus no RN. Em entrevista coletiva nesta sexta (14), a Secretaria Estadual de Saúde pública (Sesap) informou que não há nenhum caso suspeito de coronavírus no Rio Grande do Norte.

De acordo com os médicos, ao dar entrada em um hospital privado de Natal na última quarta-feira (12), o rapaz disse estar com tosse e febre, além de ter tido contato com chineses de Wuhan – cidade considerada o epicentro do vírus – em 20 de janeiro. “Se esse caso não fosse apurado seria uma grande irresponsabilidade”, diz André Prudente, diretor do Giselda Trigueira.

A possível contaminação mobilizou o estado inteiro, uma força-tarefa foi montada para verificar uma possível infecção.

Após os médicos constatarem inconsistências no relato do paciente, a Secretaria de Turismo foi acionada e verificou, juntamente com a Polícia Federal, que nenhuma pessoa vindo da China entrou no RN nos meses de dezembro de 2019 ou janeiro de 2020. Dados de hospedagem também foram checados para tentar encontrar algum morador de Wuhan em terras potiguares, mas ninguém foi localizado.

Todas as informações possíveis foram coletadas para que a gente pudesse ter uma consistência no caso. Os procedimentos daqui para frente serão tomados, visto que é um caso de importância nacional e internacional e há gastos com a saúde. Isso também tem impacto no turismo e no comércio do Estado. Isso será repassado à polícia e as medidas cabíveis serão tomadas dentro da lei”, diz Alessandra Lucchesi, Coordenadora Epidemiológica da Sesap.

A Sesap já fez contato com a delegada-geral da Polícia Civil do Rio Grande do Norte, Ana Claudia Saraiva, mas o pedido ainda será formalizado. A corporação confirmou o contato e aguarda agora a solicitação oficial para distribuir as atividades e começar as investigações. A delegacia que ficará a frente do caso ainda não foi definida.

“Tudo isso será feito com muita prudência. Primeiro vamos fazer avaliações para identificar algum transtorno mental que o paciente possa ter e iremos colher o máximo de informações para repassar às autoridades policiais”, disse Cipriano Maia, titular da Sesap.

As autoridades também afirmaram que as mídias que circularam nas redes sociais servirão de base para a denúncia à polícia. No dia 7 de fevereiro, uma mulher de 39 anos foi presa em flagrante, no Rio de Janeiro, após fingir estar com sintomas de coronavírus ao dar entrada na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) de Copacabana. Claudete Maria Rosa da Silva foi detida por falsidade ideológica e por provocar alarme para perigo inexistente.

Diagnóstico

Em entrevista coletiva nesta sexta (14), o diretor do Hospital Giselda Trigueiro, o médico infectologista André Prudente informou que o paciente não está mais em área de isolamento. “O paciente está bem, não está mais em isolamento e segue sendo tratado como qualquer pessoa que tem uma doença respiratória comum”.

Ele afirmou ainda que não está autorizado a falar o diagnóstico do paciente e se limitou a dizer que “ele está com uma doença comum e não está com coronavírus”.