PM já foi indiciado e denunciado, mas defesa alega erros nos documentos — Foto: Reprodução.

Por OP9 — A morte da estudante universitária Zaira Dantas Silveira Cruz, de 22 anos, segue repercutindo nos tribunais. Uma audiência de instrução, que ouviu dois peritos criminais e dois médicos legistas, ocorreu na manhã desta quarta-feira (23).

Os profissionais confirmaram as informações atestadas em laudo médico durante sessão no Fórum Miguel Seabra Fagundes, comandada pela juíza Sandra Elali na 15ª Vara Criminal de Natal.

Zaira foi morta no dia 2 de março, durante as comemorações de carnaval em Caicó, no Oeste do Rio Grande do Norte. O principal suspeito é o policial militar Pedro Inácio Araújo de Maria, de 36 anos, que está preso desde o dia 15 de março no Comando Geral da PM.

“Nós não temos dúvidas do estupro, da tortura, da asfixia e do feminicídio. O conjunto probatório é sólido e coeso. Nossa luta é que esse processo vá a júri popular ainda este ano porque é o ano do assassinato da jovem”, destaca a advogada assistente de acusação, Kalina Medeiros.

Para a defesa do caso, o laudo médico elaborado pelos peritos apresenta inconsistências. “A audiência foi muito positiva para a defesa porque porque os legistas ratificaram os documentos e eles apresentam erros grosseiros”, ressalta a advogada Andreia Oliveira.

Ainda segundo Andreia Oliveira, a defesa de Pedro Inácio pediu a habilitação do perito e legista Sami El Jundi para trabalhar no caso. O profissional natural do Rio Grande do Sul depôs em favor de Elize Matsunaga, condenada por matar e esquartejar o marido Marcos Matsunaga. O empresário foi morto

O caso

Zaira Cruz foi encontrada sem vida dentro de um carro no sábado de carnaval em Caicó. O policial militar Pedro Inácio Araújo de Maria é acusado de ter estuprado e matado por esganadura a universitária. O PM foi indiciado pela Polícia Civil da cidade e denunciado pelo Ministério Público por homicídio quadruplamente qualificado.

A 2ª Promotoria de Justiça de Caicó requer que o PM seja julgado pela prática do estupro consumado e homicídio quadruplamente qualificado, para submetê-lo a julgamento pelo Tribunal do Júri Popular da comarca de Caicó.

De acordo com o inquérito policial do caso, na madrugada do dia 2 de março de 2019, entre 2h14 e 4h, Pedro Inácio constrangeu, agrediu e estuprou Zaira Cruz dentro de um Kia Cerato. Em seguida, ele asfixiou a vítima por esganadura com o objetivo de ocultar o crime sexual, uma vez que, caso não tivesse sido assassinada, a universitária poderia comunicar o estupro às autoridades policiais.

Segundo a denúncia, o PM, “utilizando-se de violência física extrema, mediante chutes, agressões e imobilização da vítima, especialmente pelos braços e pescoço, estuprou Zaira Cruz”. De acordo com laudos da perícia, ele constrangeu a vítima a ter conjunção carnal (coito anal e vaginal) estando ela no período menstrual.

A vítima e o denunciado já se conheciam da cidade de Currais Novos e já teriam mantido um relacionamento anterior, mesmo que de forma episódica. Pedro Inácio teria forçado relação sexual sem preservativo e Zaira teria confessado a amigos o constrangimento por ele ficar perguntando a ela se preferia menino ou menina.