Em ação judicial, Kaio Cezar detalha uma série de acontecimentos que o fizeram sair da TV Verdes Mares — Foto: © Reprodução

Em processo contra a TV Verdes Mares, afiliada da TV Globo no Ceará, o jornalista Kaio Cezar relatou episódios que fizeram com que ele pedisse demissão ao vivo durante transmissão do “Globo Esporte”, em fevereiro. Segundo ele, foram inúmeras as situações de assédio, que culminaram em uma tentativa de suicídio.

O processo, ao qual o “UOL” teve acesso, foi protocolado no Tribunal Regional do Trabalho da 7º Região, em Fortaleza (CE), no dia 16 de março. Em um dos relatos, os advogados de Kaio Cezar contam que o jornalista foi enviado à Rússia para cobrir a Copa do Mundo de 2018, mas não tinha hospedagem definida, nem valores de diária para alimentação e outros gastos.

De acordo com o profissional, na segunda semana de cobertura, ele e a equipe foram despejados da residência informal onde estavam por causa do barulho nos horários incomuns que chegavam. Eles passaram a noite no Centro de Imprensa da FIFA, pois não tinham para onde ir.

Depois deste e de outros acontecimento na Copa, Kaio tentou se suicidar, ainda em solo russo. “Após os eventos da Copa da Rússia, quando ainda estava viajando a trabalho, o Reclamante efetivamente tentou suicidar-se – tentativa que, felizmente, não logrou êxito -, o que não será descrito com detalhes em respeito à dor do Reclamante, por ser tema excessivamente delicado e sobre o qual ele não se abriu sequer com a sua esposa”, diz o processo.

Ainda de acordo com o jornalista, o diretor de jornalismo e programação da TV Verdes Mares, Paulo César Norões, tentou impedir sua ascensão profissional na empresa e o humilhou na frente de colegas.

Como compensação de todos os salários, diárias e pagamentos que deixou de receber, somados a indenizações por dano moral, material e existencial e ao pagamento dos custos do processo, Kaio pediu R$ 3.873.399,10 à empresa. O processo corre na Justiça e não tem previsão para julgamento.

Kaio Cezar pediu demissão ao vivo no dia 16 de fevereiro. Durante o encerramento do “Globo Esporte Ceará”, ele disse que não abria mão de dignidade e respeito para ficar em nenhuma empresa.