Foto: Editoria de Arte do G1-RN

Da BBC Brasil – A Penitenciária de Alcaçuz, no Rio Grande do Norte, onde uma rebelião ocorrida no fim da tarde de sábado deixou 26 mortos confirmados (até o momento), alguns deles decapitados, foi apelidada de “queijo suíço” pela Justiça. Isso porque o local, construído sobre dunas, registra fugas frequentes de presos: basta cavar um túnel na areia para sair. Localizada no município de Nísia Floresta, a 25 km da capital Natal, a penitenciária é a maior do Estado e abriga 1.083 presos, mas tem capacidade apenas para 620, segundo dados oficiais.

Além disso, como as bancos de areia se deslocam com o vento, o acesso ao presídio fica facilitado. As dunas podem chegar a ser tão altas que permitem ver o interior do pátio. “Se um garoto pegar um estilingue e colocar um celular ou drogas, lança para dentro do presídio”, disse Ivenio Hermes, pesquisador do Observatório da Violência do Rio Grande do Norte, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo.

Em 2013, um relatório do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) contabilizou 105 fugas, com 425 presos voltando às ruas, nos dois anos anteriores. “Construída sobre dunas, a penitenciária mais parece um “queijo suíço” tendo em vista os inúmeros túneis cavados pelos presos para fuga. Há partes da unidade que inclusive correm risco de desabar em razão dos vários túneis que a cortam pelo subsolo”, afirmou o levantamento.

Na ocasião, o mesmo estudo também apontou que o Rio Grande do Norte não tinha informações básicas como nome, idade e possível condenação dos presos. “As unidades também não possuem controles básicos dos presos, como saber informar quantos são provisórios ou condenados, ou mesmo dividir os que já possuem condenação e estão na unidade respondendo a outro processo ou aguardando possível regressão de regime por descumprimento do semiaberto. Também não se tem controle sequer da quantidade de vagas na unidade”.

Localizada no município de Nísia Floresta, a 25 km da capital Natal, prisão de Alcaçuz é a maior do Rio Grande do Norte