Câmera era instalada no muro de residência no bairro Potilândia, quando arrastão aconteceu (Foto: Mauro Terayama/ Inter TV Cabugi)
Relato do próprio jornalista Vicente Neto que circula no WhatsApp:
É complicado, perigoso, temerário, paranóico.
Meu pai completa 83 anos em novembro; minha mãe fez 81 em abril.
Chegamos para morar em Natal em dezembro de 1973, numa casa na Potilândia. Portão com tramela, muro de um metro de altura apenas para não entrar animais.
Às vezes íamos para festas noturnas e deixávamos a chave da porta no compartimento do medidor de energia.
Nestas quatro décadas, a Potilândia era um paraíso. Paz, tranquilidade, muitos campos de futebol para as peladas do final da tarde. Todo mundo conhecia todo mundo.
Mas a coisa mudou – e pra valer – nos últimos anos.
Tempos atrás um bandido matou um desconhecido no meio da rua, à luz do dia, perto de nossa casa.
Noutro episódio, que recheia as estatísticas policiais, aconteceu o contrário: um desconhecido matou o bandido que assaltava uma cantina à luz do dia.
E a violência passou a fazer parte de nossas vidas.
Há dois meses, um bandido colocou um revólver na cabeça de meu pai e levou o carro que ele tinha comprado havia um mês. Era manhã. Sol alto no horizonte. O meliante foi embora tranquilo, como alguém que acaba de deixar o filho na escola e segue para o trabalho. E ainda tripudiou: “Vou precisar de seu carro para fazer umas paradas, depois abandono lá em Cajupiranga.”
Hoje foram quatro bandidos. Era manhã, sol alto no horizonte. Chegaram quando dois rapazes instalavam câmeras de segurança na área da casa.
Primeiro entraram dois. Cada um com uma pistola. Depois chegou o terceiro, também armado.
Um deles engatinhou a pistola e colocou na cabeça de meu filho, Daniel. Depois pegaram meu pai e minha mãe.
Pegaram também os dois rapazes que instalavam as câmeras e mais duas pessoas que estavam na casa.
Com todos os sete rendidos, humilhados, em pânico e sob a mira das armas, começaram a fazer um arrastão. Levaram três aparelhos de TV, cinco celulares, relógios, dinheiro de meu pai e de um dos rapazes da câmera. Levaram as ferramentas dos rapazes das câmeras e até carne e frango que estavam no freezer.
O quarto assaltante, que ficou dando cobertura do lado de fora, encostou uma picape sobre a calçada. Os outros colocaram os objetos roubados na carroceria e foram embora.
Através de fotografias, a polícia identificou dois dos assaltantes. São velhos conhecidos dos agentes.