Garotinho passa primeira noite em Bangu e família protesta

Anthony Garotinho, ex-governador do Rio de Janeiro (Wilton Júnior / Estadão)
Agência Estado – Um dia após a transferência do ex-governador Anthony Garotinho (PR) para a Cadeia Pública Pedrolino Werling de Oliveira (Bangu 8), no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste, a família do político divulgou nota de protesto contra a Secretaria Especial de Administração Penitenciária (SEAP). Na nota, parentes do ex-governador repudiam o que chamam de “insinuações” de que o ex-governador teria se machucado propositalmente, para simular agressões. Segundo eles, o objetivo dessas afirmações seria ter um pretexto para punir Garotinho.
O ex-governador chegou por volta das 21h40 da sexta-feira, 24, a Bangu 8. Ele foi transferido da Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica. De manhã, denunciara ter sido agredido em sua cela por um homem branco, com um taco de beisebol. O desconhecido teria atingido o ex-governador em um dos joelhos e em um dos pés e teria feito ameaças usando uma pistola. O agressor teria dito ainda que Garotinho “falava demais”. O ex-governador deu queixa na 21ª Delegacia de Polícia (Bonsucesso) e fez exames no Instituto Médico-Legal.

A Seap, porém, afirmou que não encontrou provas da agressão alegada pelo ex-governador. “O interno se encontrava sozinho em uma galeria composta por nove celas todas vazias”, informou o órgão, por nota. “A Seap ressalta que examinou as imagens das câmeras da unidade que não detectaram presença de qualquer pessoa ou estranhos na galeria onde se encontra o detento que pudessem causar tais lesões. (…) A Seap esclarece, ainda, que o interno será transferido para a Cadeia Pública Pedrolino Werling de Oliveira como punição por não ter provado as supostas agressões.”

A denúncia de Garotinho causou uma revista do Ministério Público na cadeia de Benfica. Promotores encontram alimentos supostamente irregulares, como camarões e bolinhos de bacalhau, nas celas de Cabral, de Adriana Ancelmo, da ex-governadora Rosinha Garotinho e do empresário do setor de ônibus urbano Jacob Barata. Há polêmica sobre se a comida era realmente proibida para detentos. Há alguns dias, outra controvérsia cercou uma doação, aos detentos da José Frederico Marques, de um televisor do tipo home theater com caixas de som e DVDs de filmes. Teria sido uma simulação do grupo de Cabral. Acabou vetada, quando a parafernália já estava na unidade.

Esses foram alguns pontos atacados por parentes de Garotinho no texto:

“A família do ex-governador Anthony Garotinho repudia veementemente as insinuações da Seap de que Garotinho teria se autolesionado, usando isso, inclusive, como pretexto para lhe impor “punições.”

“A Seap alega que as imagens do circuito interno de TV não detectaram ninguém entrando na cela para agredir o ex-governador, mas essas mesmas câmeras também não flagraram inúmeras irregularidades que beneficiaram o grupo de Sérgio Cabral.”

“Cadê as imagens de entrada no presídio de home theater? Ninguém viu? Cadê as imagens da entrada de alimentos como camarão e produtos importados entregues por fornecedores? Ou pior: onde estão as imagens do uso frequente de celular por políticos do grupo do Cabral que estão presos ali? Ninguém viu também. E em nenhuma dessas ocasiões vimos nenhum tipo de punição. Será que alguém do sistema prisional está sendo conivente com as regalias de Cabral e sua turma?”

“É necessário que haja apuração séria e isenta das filmagens envolvendo a agressão a Garotinho. Afinal, é possível afirmar categoricamente que nada aconteceu no intervalo de duas horas em que não houve filmagens até Garotinho ser visto chamando os guardas?”

“Por fim, a família vem a público manifestar a sua indignação com esse episódio e com toda a injustiça. E mais uma vez perguntar: onde estão a mansão, a fazenda, as contas no exterior de Garotinho e Rosinha? Nossa família não enriqueceu na política.”